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Rio Memórias

Vinheta de rádio da Jornal do Brasil

As notícias da manhã, o jornal da tarde, os resumos da semana e as músicas nostálgicas da madrugada. Saídas da voz do locutor, as ondas hertz viajam no espaço; o slogan “Partiu Tupi, corre pra sintonizar” atiça o ouvido. O tom de suspense na voz empostada ganha nova vida: Teatro de mistério, releitura dos suspenses das séries de radiodramaturgia que marcaram as décadas de 1950 a 1970, retorna à programação da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, uma vez por semana. Além disso, todos os dias, a entonação de perguntas tenta fisgar o ouvinte: “Mas por que Aracaju chama Aracaju? E Copacabana?”. Nos estúdios, os selecionadores de conteúdo trabalham garimpando novidades, mas também empreendendo fugazes viagens no tempo.

Num bar descolado à beira-mar, uma jovem pergunta à gerente se pode trocar a trilha sonora. Saca seu celular, pluga na caixa de som e dá play na sua seleção musical, a partir de um serviço de canções por via de streaming. No sofá da sala, um artista de MPB pega o violão e repete um ritual antiquíssimo: dedilha, descontraidamente, uma nova canção. Mas grava a cena com seu próprio celular, e logo a música vai viajar pelas redes sociais. Uma viagem tramada não pela linearidade das ondas do rádio, mas por uma intrincada combinação entre algoritmos, popularidade, acaso. Na plateia, os celulares capturam o momento mais fascinante do show — aqueles dois minutos em que um conjunto de sons encontra a mágica da música que vai chegar aos ouvidos de quem sequer conhecia a banda sobre o palco.

Foto: Rogério Reis - Fachada da antiga sede do sistema Globo de rádio - Agência Tyba

Edifício com janelas e ar condicionado, árvore verde à esquerda, sistema Globo de Rádio à frente.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de um edifício com várias janelas e ar condicionado nas fachadas. A disposição espacial começa pela esquerda, onde há uma árvore verde, passando pelo centro, onde está o edifício principal, e terminando à direita, onde há outro prédio parcialmente visível. O edifício principal tem uma fachada branca com muitas janelas retangulares e ar condicionado instalado em cada uma delas. Na parte inferior, há uma placa azul com o texto "SISTEMA GLOBO DE RÁDIO". À direita, há um prédio de cor bege com faixas vermelhas e janelas quadradas. O céu é azul com algumas nuvens brancas.

Enquanto isso, no botequim, a caixa de fósforos acompanha o coro que revive uma canção do passado, num ritual inteiramente analógico. Curadorias do passado se enovelam às curadorias do contemporâneo, tramando a gama de sons e de música que, a despeito de qualquer debate sobre indústria fonográfica ou tecnologia, acalenta os ouvidos de quem circula pela cidade.

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Memória 1 de 4: Do tablado ao palco das ruas