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Rio Memórias

A história das instituições de arte no Rio de Janeiro seguiu de perto as transformações políticas do país. Com o advento da República em 1889, o estabelecimento que se inicia como Real e se torna famoso como Imperial, perde os títulos ligados à corte e se torna Nacional. Ainda localizada no Rio de Janeiro, capital do novo governo republicano, a Escola Nacional de Belas Artes seria a nova face cívica de um regime que se iniciava com a necessidade de produzir seus símbolos, suas alegorias e seus lugares de memória.

Edifício clássico com estátuas e inscrição "Escola Nacional de Belas-Artes".Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga de um edifício com arquitetura clássica. Do lado esquerdo, vemos uma coluna com uma estátua. Ao centro, há um balcão com três janelas grandes e duas estátuas nas extremidades. À direita, há mais uma coluna com uma estátua. No centro da imagem, há uma entrada principal com uma estátua de um homem em frente. Acima da entrada, está escrito "ESCOLA NACIONAL DE BELAS-ARTES". O edifício tem várias janelas e detalhes ornamentais. Na parte inferior, há uma pequena fonte com uma estátua central. A imagem é em preto e branco.

Pórtico da antiga Academia Imperial de Belas Artes, projetada por Grandjean de Montigny e demolida nos anos 1930. A fachada foi comprada pela Secretaria do do Patrimônio Histórico (SPHAN) e instalada no Jardim Botânico, onde encontra-se hoje em dia. Fonte: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Depois de um longo período ocupando instalações próximas ao Largo do Rocio (como o prédio construído a partir do projeto de Grandjean de Montigny), a Escola Nacional de Belas Artes consegue um espaço privilegiado na nova avenida traçada pela reforma urbana de Pereira Passos – a Avenida Central –, tendo seu novo prédio inaugurado em 1908. Com projeto do arquiteto espanhol Adolfo Morales de Los Rios e intervenções do escultor e diretor Rodolfo Bernardelli, a construção de estilo eclético era uma das principais edificações que representavam o novo momento da capital federal republicana. A partir de 1937, o prédio se tornou o Museu Nacional de Belas Artes e a escola passou a ocupar um pequeno espaço no interior da instituição.

Cartão-postal colorido da Escola Nacional de Belas Artes em Rio de Janeiro.Descrição da imagem: Esta imagem é um cartão-postal colorido representando a Escola Nacional de Belas Artes em Rio de Janeiro. Do lado esquerdo para a direita, vemos uma série de colunas decorativas que formam um pórtico. No centro, há um edifício com telhado inclinado e cúpulas. À direita, o edifício continua com mais telhados inclinados e detalhes arquitetônicos ornamentais. O céu azul claro com algumas nuvens está no fundo.

Escola Nacional de Belas Artes, 1910. Fonte: Wikimedia Commons

Sem ficar alheia aos ímpetos modernizadores que surgiam no país, o ensino da Escola Nacional passou por uma série de modificações e reformas no seu currículo. Contraditoriamente, o responsável pela condução desse novo perfil foi o escultor e desenhista Rodolfo Bernardelli, um dos artistas mais vinculados à corte de D. Pedro II. Mesmo renunciando ao cargo de professor de estatuária da Academia após a ascensão republicana, Bernardelli foi convidado em 1890 por Benjamin Constant para assumir a direção – cargo que ocupou por vinte e cinco anos. Sua presença como artista e gestor produziu uma série de embates com outros nomes fortes de sua geração, como Antônio Parreiras e Vitor Meirelles, porém a marca de sua época foi definitiva na formação do campo artístico da cidade.

Homem idoso em preto e branco, segurando algo pequeno.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um homem idoso. Ele está vestindo uma camisa simples e parece estar segurando algo pequeno nas mãos. O fundo é escuro, possivelmente uma parede de madeira.

Retrato de Rodolfo Bernardelli, diretor da Escola Nacional de Belas Artes por 25 anos

Se a gestão de Bernardelli produziu reformas administrativas e curriculares, do ponto de vista estético não realizou nenhuma grande ruptura com o perfil classicista que atravessou a Academia Imperial durante suas décadas iniciais. Apesar disso, entre 1888 e 1890, se estabelece uma polêmica entre os ditos “modernos” (com Bernardelli e Rodolfo Amoedo entre seus líderes) e os “positivistas”, ambos pleiteando transformações na estrutura da Academia Imperial, porém com perspectivas distintas. O primeiro grupo chega a fundar o Ateliê Livre, estabelecimento dissidente da perspectiva oficial do período. Localizado na Rua Sachet, próxima ao Largo de São Francisco, o grupo se inspira no modelo privado da francesa Academie Julian. Mesmo por breve período, conseguem ter significativo número de alunos e realizam exposições marcantes. O impacto desse trabalho viabiliza a direção de Rodolfo Bernardelli e a vice direção de Rodolfo Amoedo na fundação da nova Escola Nacional de Belas Artes.

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