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Rio Memórias

De perfil eclético em suas famosas exposições, o Palace Hotel tornou-se a principal galeria da cidade na década de 1920, recebendo trabalhos de artistas fundamentais para o modernismo de São Paulo e do Brasil. Ronald de Carvalho, um dos principais nomes cariocas do movimento, era um dos responsáveis pelos eventos que juntaram cariocas e paulistas nos salões do famoso hotel. Apesar de ser um outro momento de vida e trabalho dos nomes históricos ligados à Semana de Arte Moderna de 1922, as exposições dos anos de 1928 e 1929 apresentaram os trabalhos de artistas que atingiam maturidade estética em seu diálogo com as vanguardas europeias e com a invenção de uma pintura definitivamente brasileira.

Pintura com rosto humano e folhagem verde.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata um rosto humano parcialmente oculto por folhas verdes. A partir da esquerda para a direita, o fundo apresenta uma série de formas geométricas em tons de verde, variando de azul-escuro a verde-claro. No centro, há uma figura humana com cabelos curtos e expressão facial serena. O rosto está rodeado por grandes folhas verdes que se estendem até o horizonte, que é ligeiramente azulado.

Lasar Segall, “Bananal” (1927)

Lasar Segall e Tarsila do Amaral foram dois desses nomes cujas exposições movimentaram os dias cariocas. O primeiro exibiu suas obras no salão do hotel em junho de 1928. O pintor lituano radicado em São Paulo teve seus trabalhos visitados em concorrida exposição com destaque na imprensa local. Naquele momento, Segall já era um nome importante do expressionismo europeu e conseguia articular tal escola de forma singular aos cenários e personagens que encontrou no Brasil. Com quarenta telas (trinta e dois óleos e oito aquarelas), a exposição ganha destaque na imprensa local e confirma Segall como um pintor definitivo de sua geração.

Já Tarsila do Amaral teve no Palace Hotel talvez a exposição mais marcante de sua carreira no Brasil. Em uma concorrida e polêmica individual em julho de 1929 (a primeira da artista no Brasil), Tarsila exibe pela primeira vez no país uma série de telas que faz nas idas e vindas para Paris ao lado de Oswald de Andrade. Após a pintora ter exibido trabalhos em duas exposições individuais na "Cidade luz", finalmente os cariocas puderam ver telas como Urutu, Sono, Touro e Antropofagia. Com grande presença de intelectuais de todas as áreas, a exposição teve críticas positivas e polêmicas comuns ao período.

Ilustração preto e branco de Tarsila, 1929Descrição da imagem: A imagem é uma ilustração em preto e branco. No centro está um rosto feminino com cabelos curtos e penteados de forma simples. As orelhas são decoradas com grandes brincos pendentes. Acima do rosto, há o nome "Tarsila" escrito em letras grandes e negras. Abaixo do rosto, está a data "rio-1929" também escrita em letras negras.

Catálogo da exposição de Tarsila do Amaral no Palace Hotel, 1929 - Site Tarsila do Amaral

De alguma forma o Palace Hotel fez do Rio uma cidade mais modernista em artes visuais do que a própria exposição da Semana de Arte Moderna em 1922.

Outras memórias

Memória 1 de 4: O Palace Hotel e a Policlínica Geral