Asegundacolina:MorrodeSantoAntônio

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Rio Memórias

Pintura de cidade costeira com colina ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata uma cidade costeira com uma colina ao fundo. Do lado esquerdo, vemos várias casas com telhados vermelhos, dispostas em uma área plana. À medida que nos movemos para a direita, o terreno se eleva, revelando mais casas e um forte com estruturas quadradas. No centro da imagem, há uma grande colina rochosa, conhecida como Morro de Santo Antônio. Ao fundo, vemos o mar e outros morros distantes. O céu está claro com algumas nuvens dispersas.

Entrada da baía a partir do terraço do convento de Santo Antônio, Nicolas-Antoine Taunay, 1816. (Museu Nacional de Belas Artes)

O Morro de Santo Antônio – na verdade, o que resta dele – é onde se localiza o Convento e as igrejas dos franciscanos. Até o século XIX, seus limites alcançavam as ruas do Lavradio, da Carioca, Senador Dantas e Evaristo da Veiga (antiga rua dos Barbonos).

Mapa urbano com destaque para o Convento de Santo Antônio.Descrição da imagem: Esta é uma imagem de um mapa urbano. A esquerda, vemos ruas como "Rua da Carioca" e "Rua do Lavradio". No centro, há uma área destacada com um círculo laranja, circundando o "Convento de Santo Antônio". À direita, encontramos ruas como "Rua Santo Antônio", "Rua Senador Danés" e "Rua do Passeio". O fundo apresenta tons de cinza e verde, sugerindo áreas verdes e edificações.

Morro de Santo Antônio antes do desmonte do século XX. Mapa extraído do site ImagineRio.

A instalação da ordem de São Francisco na colina se deu no início do século XVII, depois que o morro – à época chamado Outeiro do Carmo – foi recusado pela ordem de Nossa Senhora do Carmo. Os carmelitas preferiram se instalar em região próxima ao mar, ocupando a antiga ermida de Nossa Senhora do Ó – lar inicial dos beneditinos no Rio –, na atual rua Primeiro de Março. Em 1607 o governador da capitania, Martim de Sá, fez a doação das terras da colina desocupada aos franciscanos, que em 1608 colocaram a pedra fundamental de seu convento. Em 1615, os frades se instalaram definitivamente no monte, que passava a se chamar Morro de Santo Antônio.

A fim de tornar o local mais salubre, os frades solicitaram que fosse aberta uma vala para drenar as águas da pantanosa lagoa de Santo Antônio. A lagoa ficava onde hoje passam a Avenida Chile e a Avenida Rio Branco. Foi essa vala, aberta em 1641, que acabou por definir a fronteira da cidade, e o caminho passou a ser conhecido como Rua da Vala – hoje rua Uruguaiana. Para ligar o morro ao porto, também foi feita a abertura de uma via que, partindo da Rua da Misericórdia até a Lagoa de Santo Antônio, deu origem à atual Rua São José.

Pintura de Largo da Carioca em 1650, com montanha, lago, estrada, casa branca e igreja amarela.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata a região do Largo da Carioca, em 1650, conforme a legenda fornecida. A cena é composta por elementos naturais e construções humanas. Do lado esquerdo, vemos uma grande montanha coberta de vegetação verde, com um lago à frente. No centro, há uma estrada que desce até a casa branca com telhado vermelho, localizada perto do lago. À direita, há uma construção branca com telhado amarelo, que parece ser uma igreja ou edifício público. O céu está azul com algumas nuvens brancas.

Reconstituição da região do largo da Carioca em 1650, com o convento no topo do Morro de Santo Antônio. Carlos Gustavo Nunes Pereira (Guta), 1990c. (Instituto Pereira Passos)

Em 1633, a capela da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, instituída no Rio desde 1619, também foi erguida no topo da colina. Essa capela existe até hoje, mas a Igreja da Ordem Terceira mudou-se para o terreno ao lado do convento – doado pelos frades franciscanos na década de 1650 – e, atualmente, é um dos templos católicos mais ricamente ornamentados do Brasil.

Em 1718, para solucionar os problemas de abastecimento hídrico da cidade – existentes desde o início da colonização e agravados pelo aumento do número de habitantes – foram instalados alguns canos na rua dos Barbonos, a fim de atender às demandas da população por água. A ordem partiu do então governador da capitania, Antônio de Brito Freire de Meneses.

Aires Saldanha, que governou a capitania de 1719 a 1725, esticou os encanamentos até o Campo de Santo Antônio – atual Largo da Carioca – e construiu o antigo Aqueduto da Carioca. Em 1744, o governador Gomes Freire mandou construir um novo aqueduto, visto que a estrutura do anterior se deteriorou com o tempo. Inaugurado em 1750, o novo aqueduto levava a água até um chafariz de mármore com 16 bicas de bronze, no Campo de Santo Antônio.

Paisagem urbana com ponte de arcos e pessoas em um gramado verde.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata uma paisagem urbana com uma ponte de arcos em destaque. A ponte, com seus múltiplos arcos, estende-se ao longo do horizonte, ligando duas colinas. À esquerda, vemos uma estrada que desce a colina, onde um homem caminha. Mais à esquerda ainda, há uma pequena construção com telhado vermelho. Na parte inferior da imagem, vemos pedaços de tijolos espalhados no chão. À direita, dois indivíduos estão sentados em um gramado verde, enquanto uma mulher está sentada no chão, perto de um balde. Ao fundo, várias casas com telhados vermelhos estão dispostas em uma colina.

Aqueduto Da Carioca. Aquarela do Barão de Löwenstern, 1828.

Ali, Gomes Freire mandou construir um posto de guarda para controlar a circulação em torno do chafariz, dando origem à Rua da Guarda Velha – hoje Treze de Maio. Em 1834, Grandjean de Montigny projetou um novo chafariz no mesmo lugar, com maior número de bicas, para atender o aumento da demanda por água na cidade. O chafariz de Montigny foi demolido em 1925.

Edifício clássico com árvores e carros antigos em dia ensolarado.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco. No centro da imagem, há um edifício grande e imponente com fachada clássica, composta por grandes janelas retangulares e detalhes arquitetônicos ornamentais. À frente do edifício, há árvores altas e bem cuidadas. Na esquerda, três automóveis antigos estão estacionados, com pessoas próximas a eles. À direita, há mais um carro antigo parado. Pessoas caminham pela calçada, e o céu está claro, indicando um dia ensolarado.

Chafariz do largo da Carioca, fotógrafo não identificado, 1920c. (Bibioteca do IBGE)

Referências: BARROS, Paulo Cezar. As grandes intervenções na área central do Rio de Janeiro: a geografia histórica do morro de Santo Antônio sob a ótica dos projetos urbanísticos. Revista geo-paisagem (online). Ano 13, nº 25, Janeiro/Junho de 2014.

BRASILIANA Fotográfica. Série “O Rio de Janeiro desaparecido” VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruz. Disponível em: https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13719

MACEDO, Joaquim Manuel. Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. 4ª ed. Livraria Garnier, 1991.

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Memória 1 de 4: Entre quatro colinas