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Rio Memórias

Sou negro e venci tantas correntes A glória de quebrar todos os grilhões Na volta das espumas flutuantes Mãe África receba seus leões Samba enredo da Unidos da Tijuca, 2003. Haroldo Pereira. Valtinho Junior e Wantuir

Pintura de mar calmo com embarcações e rochedos.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata um mar calmo com algumas embarcações. Do lado esquerdo, vemos uma pequena embarcação navegando para a direita. Mais à frente, há outra embarcação maior, também se movendo para a direita. No centro da imagem, há uma série de pequenas formas que parecem ser ondas ou movimentos na água. À direita, há uma grande embarcação com várias velas, navegando para a esquerda. No horizonte, vemos duas grandes formações rochosas, possivelmente ilhas ou penhascos. O céu é claro e sem nuvens, dando uma sensação de tranquilidade. A cor predominante é o bege, com tons de azul e marrom.

Última vista do porto do Rio de Janeiro. Charles Landseer, 1825-1826. Instituto Moreira Salles

O porto do Rio, assim como o Cais do Valongo e sua enseada, não eram apenas lugares de chegada, mas também de partida e miradas em direção ao Atlântico. Era por onde africanos e seus descendentes percebiam as conexões com a outra margem do oceano e podiam sonhar com a volta, com um retorno à terra natal.

Libertos, africanos em maioria, voltaram para a África a partir do Rio de Janeiro, em pleno vigor da escravidão no Brasil. Voltaram individualmente, e também, com muito trabalho e luta coletiva, organizaram-se, programaram e voltaram em grupo — alguns destes, com mais de cem pessoas.

Documento escrito em 1851 detalhando um acordo sobre a entrega de pessoas africanas livres.Descrição da imagem: A imagem é um documento escrito em português, datado de 27 de novembro de 1851. Está em preto e branco e apresenta uma disposição linear, com texto alinhado à esquerda. O documento menciona um acordo entre George Duck, capitão do navio Robert A 1, e Raphael José de Oliveira sobre a entrega de pessoas africanas livres para Bahia e posteriormente para Benin. O texto detalha os termos do acordo, incluindo a quantidade de passageiros, alimentos fornecidos, e prazos para embarque e desembarque. Não há imagens ou ilustrações adicionais na imagem.

Contrato dos libertos retornando à África no Brigue Robert, 1851. Retirado de “A vida dos escravos no Rio de Janeiro”, de Mary Karasch

O Atlântico foi também um rio com um fluxo de pessoas que se dirigiram às costas africanas. E a vitória sobre as correntes da escravidão pode ser dupla, algumas vezes significando também se colocar na contracorrente do tráfico escravista transoceânico. Além de idas e vindas de comerciantes, religiosos e trabalhadores marítimos, o Rio Atlântico foi cenário de retornos de africanos cruzando o oceano.

Vista panorâmica de edifícios históricos e navios em Rio de Janeiro.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga de Rio de Janeiro, Brasil. A imagem mostra uma vista panorâmica da cidade, com edifícios e navios ao longo do horizonte. Do lado esquerdo, vemos uma série de construções históricas, incluindo igrejas com cúpulas e torres. No centro, há um grande complexo arquitetônico com várias estruturas, possivelmente um teatro ou palácio. À direita, há mais edifícios e uma área aberta que parece ser um parque ou praça. No fundo, o mar está cheio de navios, alguns próximos à costa e outros mais distantes. A disposição espacial é linear, com os elementos principais dispostos de forma organizada, desde a esquerda até a direita.

O porto do Rio de Janeiro – Marc Ferrez, c. 1895. Instituto Moreira Salles

Outras memórias

Memória 1 de 4: O cais do Valongo