Rio Atlântico

CURADORIA

Monica Lima

Aí está ele, o mar, o mais ininteligível das existências não humanas

Clarice Lispector

. (Clarice Lispector. Águas do Mundo) O Rio de Janeiro é uma cidade atlântica, como indicam os mapas e afirma a Geografia. Mas, a História faz do Rio uma cidade afro-atlântica: sua relação com o

Mar Oceano

se deu em grande parte por articular-se com esta outra margem, e sua importância no chamado Mundo Atlântico surge principalmente a partir da conexão com a África. O Rio de Janeiro é uma cidade porto, um lugar de chegadas e partidas, e também de ligação com as rotas internas que irão colocar em contato o mar – em todas as suas margens – com o interior do país. O mar, com seus sons e imagens, é elemento transversal a todas as salas.

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“Glória a todas as lutas inglórias Que através da nossa história não esquecemos jamais Salve o Navegante Negro Que tem por monumento as pedras pisadas do cais” O Rio de Janeiro como cidade nasceu definitivamente ligado ao Oceano Atlântico e suas margens. Um porto, um lugar de chegada e desembarque, onde se pode colocar os pés em terra firme, nas areias pedregosas das praias da baía, ou sobre as pedras pisadas dos cais. Muito tempo depois da sua fundação, colocaram a estátua do Cristo Redentor com os braços abertos, recebendo os que aqui são trazidos pelas rotas marítimas. Não sem razão ele está voltado para a Baía de Guanabara, é para quem vem pelo Atlântico que se dirige o movimento de abraço. Há quem diga, e com razão, que este acolhimento não é para todos, nem nunca foi. Mas, os braços abertos estão lá. A história nos faz pensar sobre isso.

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