RiodeModernidades:CircuitoCapanema-MAM

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Rio Memórias

A caminhada cultural Rio de Modernidades inicia sua jornada no Edifício Palácio Gustavo Capanema, o marco inaugural da arquitetura moderna no Brasil. Projetado entre 1936 e 1945 por uma equipe liderada por Lúcio Costa, com consultoria de Le Corbusier, o edifício revolucionou a estética nacional ao introduzir o uso de pilotis, brise-soleil e terraços-jardim.

Diagrama de árvore genealógica mostrando principais chacinas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.Descrição da imagem: A imagem é um diagrama de árvore genealógica representando "Principais chacinas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro". A disposição espacial vai da esquerda para a direita, começando com datas do início dos anos 90 até o final dos anos 20. As caixas azuis contêm os nomes das chacinas, como "Chacina do Salgueiro", "Chacina do Jacarezinho" e "Chacina da Maré". As linhas conectam essas caixas, indicando as relações entre as chacinas.

O percurso começa neste monumento para revelar como o Rio de Janeiro redesenhou sua identidade no lugar do antigo berço colonial do Morro do Castelo, transformando o "apagamento" material do passado em um Brasil moderno e industrial. A temática central da caminhada explora temporalidades distintas das modernidades urbanas, demonstrando que as transformações da cidade não foram lineares, mas sim um processo de sucessivas camadas. O roteiro atravessa a Esplanada do Castelo, onde o "vazio" deixado pelo desmonte do morro serviu como uma folha em branco para diferentes visões de futuro, desde o plano de Alfred Agache até o racionalismo funcionalista dos irmãos Roberto no Edifício Plínio de Cantanhede e na ABI. Nesse trecho, a modernidade dialoga com a resistência da Igreja de Santa Luzia, raro testemunho colonial.

Teatro em construção com estrutura metálica e cúpulas ornamentadas.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco de um teatro em construção. Do lado esquerdo, vemos prédios menores e uma rua com algumas pessoas caminhando. No centro, o teatro principal está sendo erguido com estruturas de madeira e telhas cobrindo partes do edifício. À direita, há uma grande estrutura metálica de suporte. No topo do teatro, dois grandes cúpulas são visíveis, cada uma com um detalhe ornamental no centro.

Theatro Municipal em construção. Augusto Malta, 1907. Instituto Moreira Salles.

Ao avançar para a Cinelândia, o grupo mergulha na "Paris Tropical" da Belle Époque carioca. Neste núcleo de protagonismo eclético, o Teatro Municipal e a Biblioteca Nacional representam o ápice do luxo e da cultura europeia importados pela reforma de Pereira Passos. A praça funciona como um ponto de inflexão temporal, onde o Obelisco da Avenida Central marca a modernização do início da República, enquanto os antigos cinemas narram a transformação dos hábitos de lazer e de sociabilidade no século XX. A caminhada segue explorando a modernidade diplomática e cosmopolita do pós-guerra, visível no Consulado dos Estados Unidos, um exemplar do estilo internacional concluído em 1952. O percurso destaca a sede da ABL e a boemia intelectual da Casa Villarino, inaugurada em 1953 e imortalizada como o "berço da Bossa Nova". Esses pontos revelam como o Rio manteve sua capitalidade cultural mesmo após perder a centralidade política, integrando música, literatura e diplomacia em uma narrativa de vanguarda.

Palácio neoclássico com torre e ônibus antigo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia histórica em preto e branco de um palácio majestoso. Do lado esquerdo, vemos uma coluna com cúpula decorativa. No centro, o edifício principal apresenta arquitetura neoclássica com detalhes ornamentais e um telhado curvo. À direita, há uma torre com cúpula e elementos arquitetônicos finamente trabalhados. Na frente do palácio, há árvores verdes e um ônibus antigo com várias pessoas dentro. O ônibus está no primeiro plano, enquanto o palácio ocupa o fundo da imagem.

Palácio Monroe. Augusto Malta, c.1920. Acervo Light

Em sua fase final, o roteiro desloca-se da densidade dos edifícios em direção à abertura visual da Praça Mahatma Gandhi, onde a falta do Palácio Monroe se faz presente.

Este movimento de saída do arruamento tradicional para a amplitude da orla permite ao público perceber o Rio como um organismo vivo, capaz de conciliar as memórias do passado com as novas possibilidades de convivência. A narrativa foca na transição entre o centro administrativo e o espaço de lazer que redesenhou o rosto da cidade.

Edifício modernista com estruturas geométricas e entrada central.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um edifício modernista. Do lado esquerdo, vemos estruturas geométricas com formas triangulares e retangulares, construídas em concreto. No centro, há uma grande abertura que parece ser uma entrada ou janela. À direita, há uma coluna metálica com um suporte de iluminação. No fundo, vemos plantas e um céu parcialmente nublado. A imagem está em preto e branco.

Imagem retirada de https://www.archdaily.com.br/br/tag/mam-rj O encerramento ocorre no Museu de Arte Moderna (MAM Rio), obra-prima de Affonso Eduardo Reidy sustentada por monumentais pilotis em "V". A integração plena entre o concreto armado e os jardins de formas orgânicas de Roberto Burle Marx sintetiza a proposta do Rio de Modernidades: celebrar uma metrópole que soube transformar espaços e tempos em oportunidades de inovação estética. Ao final, no MAM Rio, os participantes contemplam a fusão definitiva entre a arquitetura modernista e a paisagem da Baía de Guanabara, consolidando a leitura das múltiplas eras que definem o Rio.

Não deixe de conferir também: # O Circuito Centro-Cinelândia, do projeto Aqui tem Memória. # A Galeria Rio Desaparecido, do projeto Museu Virtual. # Nosso podcast sobre a história do Palácio Monroe, no Spotify.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro