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Rio Memórias

Arrastões pela zona sul do Rio de Janeiro - Canal See News

Um grito atravessa a avenida Rio Branco e logo se multiplica. Alguém acabou de ter a carteira batida ou a bolsa roubada. Um adolescente sai correndo na direção contrária. Homens disparam atrás dele. Em poucos minutos, a teia de sons volta ao seu estado corriqueiro: é apenas mais uma tarde no centro do Rio. Dali a pouco, porém, novos gritos. “É o rapa!”. Assovios e vozes que entoam códigos. Correria de vendedores ambulantes, que saem desabalados arrastando suas bolsas e balcões improvisados. A Guarda Municipal está chegando para uma ronda de fiscalização. Há um clima de suspense nos sons que tomam o ar.

Foto: Angelo Duarte - Fuzileiros navais na orla de Copacabana - Agência Tyba

Três fuzileiros navais em uniforme militar observam dois homens submissos em um ambiente urbano.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de três fuzileiros navais em uniforme militar, equipados com capacetes e armas, observando dois homens sentados no chão em frente a um prédio com janelas de vidro. A cena ocorre em um ambiente urbano, com carros estacionados ao fundo e reflexos dos edifícios na superfície das janelas. Os fuzileiros estão dispostos de forma que um está mais próximo à esquerda, outro está centralizado e o terceiro está mais próximo à direita. Os dois homens sentados parecem estar em uma posição submissa, com os braços apoiados nas pernas e a cabeça baixa.

Mais adiante, o rasgo de freadas bruscas e de carros dando marcha à ré, buscando um retorno na contramão, apressados. O túnel fora fechado por criminosos. Gritos e sirenes, às vezes, tiros. Buzinas. Suspiros de desolação. Domingo, na praia, o tumulto de sons emerge num átimo. Banhistas correm, crianças choram. É mais um arrastão: grupos de jovens correm pelas areias se apoderando de carteiras e celulares. Ao fundo de tudo, na paisagem, o zunido permanente do medo e da perplexidade, atravessando os dias.

Arrastão na praia do Arpoador em 2013.

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Memória 1 de 4: Sons da repressão