Rio de Sons

CURADORIA

Heloisa Murgel Starling

Na cidade há som. O Rio de Janeiro é canção e barulho. Nossos ouvidos escutam um velho samba que toca em um botequim, o grito do "olha o mate" na praia, o bloco de carnaval que passa na rua, o helicóptero que sobrevoa uma comunidade. O silêncio não existe. Ao andarmos pelas ruas, somos invadidos por sons e barulhos com os quais nos identificamos e identificamos a cidade.

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Um estampido seco é acompanhado de uma faixa de luz que, feito estrela cadente, corta o céu noturno. Pouco depois, os rojões explodem no alto do morro, indicando mais um dia de confrontos. Há um lado sombrio na paisagem sonora que ocupa o cotidiano de quem vive no Rio. Sons que causam pavor. Música produzida por carros blindados e fuzis. A gritaria do arrastão na praia ou no túnel. O estampido da bala que chamam de “perdida”, mas que em geral encontra uma vítima. E ela quase sempre é negra, pobre, moradora dos subúrbios ou das favelas.

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