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Rio Memórias

Dois espaços inusitados, porém, fundamentais para a arte carioca e brasileira na cidade do Rio foram inaugurados no final da década de 1910 – um no saguão de uma instituição médica, e o outro nos salões de um hotel de luxo.

Edifício histórico Palace Hotel em preto e branco.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia histórica em preto e branco de um grande edifício localizado em uma esquina de uma cidade. Do lado esquerdo, vemos uma rua com árvores e algumas construções menores. No centro, o edifício principal, o Palace Hotel, ocupa a esquina, com seu design clássico e ornamentos arquitetônicos. À direita, há mais edifícios e uma praça com árvores. No fundo, vemos outros prédios e uma skyline urbana.

O Palace Hotel em 1926 - imagem retirada do site Estilos Arquitetônicos

Em 1919, surge na cidade o Palace Hotel. Ocupando um prédio imponente na Avenida Rio Branco esquina com Almirante Barroso, seus salões foram um local de encontros constantes entre a política, a arte e a vida social da cidade. O hotel abrigou iniciativas importantes como a Associação de Artistas Brasileiros (AAB), fundada por Celso Kelly, um niteroiense que atuou em diferentes campos artísticos e no jornalismo. Segundo o próprio, a AAB nasceu em 1928, devido a um movimento de protesto contra os inúmeros cortes que o Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes promoveu naquele ano.

Homem de perfil com camisa branca e laço laranja, fundo azul claro.Descrição da imagem: Esta é uma pintura retratando um homem de perfil. A figura está de frente para a esquerda, com cabelos escuros e bem aparados. Ele usa uma camisa branca com um laço amarrado em um tom de laranja. O fundo é azul claro, com alguns elementos geométricos e formas simples.

Celso Kelly (1906-1979), fundador da Associação de Artistas Brasileiros. Autoria não identificada

O hotel tornou-se uma das principais galerias da cidade, abrigando uma série de exposições modernistas (Lasar Segall e Tarsila do Amaral foram alguns dos nomes) e palestras sobre arte e arquitetura. Entre alguns eventos marcantes, destacam-se o II Salão de novos artistas do Palace Hotel ocorrido em 1926, em que é apresentado para os cariocas a obra de um jovem Cândido Portinari. É lá também que o arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright apresenta uma série de palestras para o grande público e que Di Cavalcanti e Ismael Nery organizam em 1928 o “Salão de Maio”, com exposição de desenhos modernos. Em 1929, Nery e Portinari fazem suas primeiras individuais no Palace Hotel, ambas organizadas pela AAB.

Outro importante espaço para as artes visuais nesse período da primeira república foi o saguão da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, na Avenida Rio Branco esquina com a rua São José. Talvez uma das mais importantes no local ocorreu em 1928, com o pernambucano Cícero Dias. O jovem pintor instalou-se na cidade em 1925 e três anos depois exibia suas primeiras obras de peso. Após uma conversa com o médico e intelectual Juliano Moreira, por indicação de Graça Aranha, Dias consegue o espaço para exibir seus trabalhos – desenhos e pinturas. Alguns deles foram, inclusive, vendidos para compradores como Paulo Prado e Olivia Guedes Penteado. Com fortes tons surrealistas, a exposição causou impacto (principalmente negativo) na crítica local e contou com a presença de um entusiasmado Manuel Bandeira e dos demais artistas da cidade, como Di, Nery e Oswaldo Goeldi.

Cidade com elementos arquitetônicos e humanos, incluindo montanha, edifícios, igreja, árvores e pessoas caminhando.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata uma cidade com vários elementos arquitetônicos e humanos. Do lado esquerdo, vemos uma montanha e um edifício alto com muitas janelas vermelhas. Ao centro, há uma construção com torre e telhado azul. À direita, há uma igreja com cúpula e torre. No primeiro plano, estão árvores azuis e uma casa com telhado vermelho. Pessoas caminham e veículos estão estacionados. Na parte inferior, há sinais e um monumento com a palavra "Saz".

Cícero Dias, “Cena imaginária com Pão de Açúcar, 1928. Exposição CCBB 2017

Outras memórias

Memória 1 de 4: Duas exposições modernistas no Palace Hotel