Estaçãodasbarcas

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Rio Memórias

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O transporte de passageiros por barcas foi o primeiro sistema de mobilidade urbana de massas do Rio de Janeiro. Introduzido em maior escala na década de 1830, na segunda metade do século XIX contabilizava-se mais de 50 viagens diárias entre Rio e Niterói. E junto com o adensamento populacional, inserido num contexto de grandes transformações urbanas pelas quais o Rio de Janeiro passou, foi construído o (hoje centenário) prédio da estação das barcas, no início do século XX.

Estação ferroviária histórica com edifício amarelo e detalhes ornamentais azuis e brancos.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma estação ferroviária histórica. A imagem mostra um edifício amarelo com detalhes ornamentais em azul e branco. À esquerda, há uma construção mais simples, enquanto à direita está o edifício principal, destacado por sua cúpula azul e detalhes arquitetônicos elaborados. Na frente, há uma área aberta com uma árvore parcialmente visível no topo da imagem. Um ciclovia está estacionado perto da entrada do edifício.

O atual prédio da Estação das Barcas, na Praça XV, inaugurado em 1912. Imagem: site CCR Barcas

Localizado na histórica Praça XV, a construção do edifício foi iniciada durante a gestão do prefeito Pereira Passos, em 1904, e sua inauguração se deu em 1912. A arquitetura eclética (que combina elementos de estilos arquitetônicos diversos) do prédio é um imponente exemplar de um dos estilos vigentes — ao menos dos prédios públicos e palacetes — da época. Atualmente, além da estação, o prédio abriga o Centro de Controle Operacional da concessionária CCR – que administra o transporte por barcas desde 2012 –, escritórios administrativos da empresa, lojas e áreas de serviços auxiliares.

Mas esta estação não foi a primeira a operar o transporte de passageiros pela Baía de Guanabara. A utilização da baía, inclusive, é muito anterior à invasão dos portugueses. Os tupinambás já utilizavam canoas para se locomover entre suas diferentes margens e, a partir do século XVI, os colonizadores usaram, por anos, as mesmas canoas indígenas, até que barcos e faluas – movidos por remadores escravizados – passassem a transitar por essas águas.

Paisagem costeira com colina, navio, palmés e homem olhando para o mar.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata uma paisagem costeira. Do lado esquerdo, há uma colina coberta por vegetação verde. No centro, um navio está navegando sobre o mar calmo. À direita, dois palmés altos estão em destaque. No horizonte, várias ilhas e montanhas formam o fundo da cena. Na parte inferior da imagem, um homem está sentado em uma rocha, olhando para o mar. A assinatura do artista, "C. Colgan", está localizada na parte inferior esquerda da pintura.

Vista tomada de Icaraí sobre a baía da Guanabara, com um navio entrando na barra - Hugo Calgan (atribuído), segunda metade séc. XIX

Já a navegação a vapor, depois de uma primeira tentativa mal sucedida em 1817, foi iniciada em 1835. No dia 14 de outubro daquele ano, o serviço da Sociedade de Navegação de Nictheroy entrou em funcionamento, com três barcas inglesas denominadas Praiagrandense, Niteroiense e Especuladora, que começaram a fazer o trajeto entre a então Corte imperial e a cidade de Niterói.

Pintura animada de porto com homem puxando cavalo, multidão na ponte e barcos movendo-se.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata uma cena animada em um porto. À esquerda, vemos um homem puxando um cavalo branco pela rédea. Ao centro, uma multidão de pessoas está reunida em uma ponte, onde alguns estão carregando longos mastros com bandeiras coloridas. À direita, barcos estão sendo movidos por homens que trabalham nas águas do porto. No fundo, prédios e uma fortaleza são visíveis.

Praia de D. Manuel, c. 1823. Félix-Émile Taunay (atribuído). Este porto era um dos mais movimentados da cidade antes mesmo das embarcações a vapor. Acervo: Pinacoteca do estado de São Paulo

O atracadouro era na antiga Praia de Dom Manuel, localizada à direita da atual Praça XV — e, à época, um dos principais portos da cidade. Além desse, havia ainda outros pontos de embarque e desembarque dos vapores, tais como nas praias do Caju, Botafogo e São Cristóvão. Esses portos – já em atividade antes do surgimento das barcas a vapor – perderam importância e, a partir dos anos 1860, o transporte para as regiões das zonas sul e norte passou a ser feito por terra, com o surgimento dos bondes puxados a burro – que, a medida que ganhavam o público, deixavam as barcas mais restritas ao trecho Rio x Niterói.

Estação de ferry antiga com edifício central e torre, arco à esquerda e construção de madeira à direita.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga de uma estação de ferry. A imagem mostra um edifício com uma torre central contendo um relógio, localizado no centro. À esquerda do edifício principal, há uma estrutura mais baixa com arcos e portas abertas. À direita, há uma construção de madeira com telhado inclinado. No primeiro plano, várias pessoas caminham pela praça em frente à estação. O céu está claro e sem nuvens.

A estação construída em 1862 - Marc Ferrez, c. 1900 - Instituto Moreira Salles

Mas antes dos bondes, outras companhias de navegação por barcas surgiram, incorporando novas embarcações às suas frotas. Em 1862, uma gigante foi inaugurada: a Companhia Ferry, criada a partir de uma concessão do governo imperial ao empresário Clinton Van Tuyl. A Companhia Ferry, que implantou o sistema ferry (os ferry boats) na cidade – com maior capacidade de lotação e embarcações mais velozes – acabou afetando os serviços da Companhia de Navegação de Niterói e Inhomirim (uma fusão da Sociedade Nictheroy e da Companhia Inhomirim, inaugurada em 1851), que acabou encerrando suas atividades em 1865. Para a implantação do novo sistema, uma nova estação foi inaugurada, em 1862.

Navio "Galeão" com embarque e desembarque de passageiros, montanhas ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco, mostrando uma cena de embarque de passageiros em um navio. A imagem está emoldurada com um contorno ondulado, típico de cartões-postais. Na parte esquerda, vemos o navio "Galeao", com sua chaminé e bandeiras visíveis. Pessoas estão desembarcando e embarcando, ocupando o centro e o fundo da imagem. À direita, há uma grande aglomeração de pessoas caminhando em direção ao navio. No fundo, vemos montanhas e um céu claro.

Um ferry boat, já na nova estação da Praça XV - Alfredo Krausz, 1929 c. - Instituto Moreira Salles

No início do século XX, assim como o próprio Rio de Janeiro, o sistema de transportes se transformou. Nesse sentido, o complexo arquitetônico da estação das barcas atual foi erguido de acordo com as tendências deste período, com estrutura em ferro e uma cúpula abobadada, sobre uma portada cheia de detalhes navais.

Praça histórica com edifício amarelo e cúpula azul, pessoas caminhando e árvores à direita.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma praça com um edifício histórico ao fundo. A imagem mostra uma estrutura amarela com detalhes ornamentais e uma cúpula azul no topo. À esquerda, há uma entrada com arcos e balcões. À direita, há uma passarela que conecta os dois edifícios. Pessoas caminham pela praça, e árvores estão presentes à direita. O céu está claro e azul.

Estação da Praça XV de Novembro, já revitalizada - Halley Pacheco de Oliveira, 2012. Wikimedia Commons

A estrutura foi revitalizada nos anos 1990 e, em 2012, a CCR passou a administrar a estação e o transporte de barcas da cidade. Atualmente, a estação da Praça XV recebe, todos os dias, milhares de passageiros com destino a Niterói, Ilha do Governador e Ilha de Paquetá.

Logotipos da Rio Prefeitura Turismo e Rio Memórias.Descrição da imagem: A imagem apresenta dois logotipos. Do lado esquerdo, há um escudo azul com uma coroa e elementos decorativos, seguido do texto "Rio Prefeitura Turismo" em azul. Do lado direito, há um logotipo com a frase "Rio Memórias" em laranja, dentro de um quadrado com linhas verticais.

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