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Rio Memórias

Do constante tim-tim da boêmia rua Nelson Mandela, em Botafogo, à cantoria dos pássaros a frequentar a rua dos Oitis, na Gávea. Do vozerio de multidões a atravessar a Ministro Edgar Romero, em Madureira, ao espírito musical do boulevard 28 de Setembro, em Vila Isabel. Do estampido de máquinas e batidas da rua das Oficinas, no Engenho de Dentro, aos animados gritos de torcida da Alzira Brandão, na Tijuca. É nas ruas, que pulsa a alma carioca, como nossos melhores cronistas não se furtam a reiterar. E a variedade de sons é parte essencial da vivacidade desse espírito, compondo a cartografia simbólica da cidade.

Grupo de pessoas em trem cantando e tocando instrumentos, usando camisas verdes e chapéus brancos.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um grupo de pessoas em um trem. A imagem mostra várias pessoas vestindo camisas verdes e chapéus brancos com faixas verdes. Eles estão cantando e tocando instrumentos musicais, como um tambor. As pessoas estão em pé, apoiadas nas barras de apoio do trem, e algumas estão levantando os braços. O fundo mostra o interior do trem, com janelas e assentos.

Foto: Thiago Diniz - Trem do Choro - 2018

Saudades e ruídos da memória também habitam a profusão de sons e de ritmos que pulsam de becos, vielas e grandes avenidas. A tradicional rua do Ouvidor, no centro do Rio, por exemplo, foi aberta no século XVI e, devido à sua insaciável vocação de grandeza, foi de tudo um pouco — sem jamais deixar de ser um caso de amor para os cariocas. O que nela mais chama a atenção é o burburinho de vozes e de ideias: até hoje, parte da intelectualidade carioca se reúne ali, nas mesas dispostas pela rua, em meio aos cafés, restaurantes e livrarias, que são um convite para se jogar conversa fora. Em outras ruas encharcadas de passado, como a da Carioca, a da Alfândega e a do Rosário, ainda ouvimos o badalar dos sinos das igrejas antigas se misturar às vozes dos comerciantes e dos músicos, que carregam no peito a delícia e a dor de se apresentar onde o povo realmente está: nas ruas.

Foto: Américo Vermelho - Largo da Carioca

Praça com relógio ornamentado sobre coluna, feira de rua e casario histórico ao fundo, sob céu azul.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um espaço público com um céu azul claro e algumas nuvens. Do lado esquerdo, vemos prédios modernos e uma árvore grande. No centro, há um monumento com uma coluna decorativa e um relógio no topo. À frente do monumento, há barracas de feira e pessoas caminhando. Ao fundo, estão edifícios históricos com arquitetura clássica. A direita, há mais prédios altos. O piso é de pedra com padrões geométricos.

Ao longo das grandes vias que rasgam a cidade, como a avenida Rio Branco, a Presidente Vargas e a Francisco Bicalho, construídas no período republicano, os passantes se deparam com o incessante vai-e-vem de veículos com seus buzinaços, ranger dos motores e aquele característico som metálico que anuncia as chegadas e saídas dos trens, metrôs e VLT’s. Na medida em que saímos do centro para o litoral, passeando pelas avenidas Atlântica, Vieira Souto e Delfim Moreira, a ambiência sonora adquire como pano de fundo a cadência do mar e da vida ao seu redor, com todo o manancial de sons produzidos pelos corpos que se divertem, trabalham sobre a areia, cantam e se exercitam.

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