EstátuaequestredeDomJoãoVI

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Rio Memórias

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Poucas figuras foram tão referenciadas na história do Rio de Janeiro quanto D. João VI. Regente do trono português desde 1792 – após a morte de seu irmão mais velho, José, e o diagnóstico de sua mãe, Dona Maria I, como “mentalmente incapaz” de gerir o reino – o príncipe enfrentou momentos turbulentos em seu governo, com as constantes tensões entre Portugal e França após a ascensão de Napoleão Bonaparte. Diante das ameaças francesas, Dom João VI decidiu transferir a Corte portuguesa para o Brasil com a ajuda do governo inglês e, em março de 1808, após uma breve estadia em Salvador, a família real desembarcou no Rio de Janeiro, transformando a cidade na capital do império luso.

Pintura festiva com pessoas em trajes formais e elegantes, bandeiras coloridas e construção ao fundo.Descrição da imagem: A imagem é uma pintura retratando um evento festivo. À esquerda, vemos pessoas vestidas com trajes formais, incluindo um homem em terno preto e um outro em uniforme verde. No centro, dois homens em ternos brancos estão em destaque, um segurando um pano vermelho e drapeado. À direita, encontramos mulheres em vestidos elegantes, algumas com chapéus. Ao fundo, há uma construção com telhado inclinado e bandeiras coloridas penduradas. A disposição espacial vai do primeiro plano, onde os personagens estão mais próximos, para o fundo, onde a construção e as bandeiras são mais distantes. As cores variam entre tons pastéis e vibrantes, especialmente nos trajes das mulheres e nas bandeiras. Não há texto legível na imagem.

Chegada da família real portuguesa à Igreja do Rosário, então Sé do Rio de Janeiro (representação). Armando Vianna, 1937. Wikimedia Commons

Com a chegada de centenas de portugueses ao Rio, a cidade sofreu grandes transformações em sua infraestrutura, em seus costumes e tradições. Nos anos seguintes a 1808, diversas instituições foram criadas, tais como a Academia Real Militar, o Arquivo Militar, a Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, o Banco do Brasil, a Biblioteca Real, a Casa da Moeda, a Imprensa Régia e o Jardim Botânico. O Paço dos vice-reis transformou-se em Paço Real, o convento do Carmo se tornou residência de D. Maria I, o Rio se transformou em uma “Nova Lisboa”. Porém, com a ameaça napoleônica neutralizada, a pressão dos seus súditos em Lisboa fez com que Dom João VI voltasse para Portugal em 1821, após 13 anos no Rio de Janeiro, deixando um de seus nove filhos, Dom Pedro, como príncipe regente do Brasil. D. João reinou em Lisboa por mais meia década, até que no dia 4 de março de 1826, o monarca foi acometido por um mal-estar que o levou à morte seis dias mais tarde.

Navio em mar calmo, pessoas celebrando na escarpa, construção com bandeira ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata uma cena histórica. Do lado esquerdo, vemos um navio com mastros elevados, navegando sobre um mar calmo. À medida que nos movemos para a direita, vemos uma grande quantidade de pessoas reunidas em uma escarpa de pedra. Elas estão erguendo os braços em gestos de celebração ou despedida. No topo da escarpa, mais pessoas observam a cena. À direita, há construções de tijolos com janelas e uma bandeira hasteada no telhado. Na parte inferior direita, alguns indivíduos estão perto da água, possivelmente esperando para embarcar.

Partida da rainha Carlota Joaquina (e a Corte portuguesa), em abril de 1821. Irmãos Thierry, 1839 - Wikimedia Commons

Inaugurada em 1965 na praça XV, a estátua de Dom João VI foi oferecida como presente pelo governo português, e fez parte das comemorações dos 400 anos de fundação da cidade (1565). A obra é do escultor modernista português Salvador Carvão da Silva d’Eça Barata Feyo, e é bastante representativa do momento em que foi instalada, bem como da memória que se pretendia construir em torno do monarca. Buscando fugir de qualquer imagem “bonachona”, a estátua retrata D. João em cima de seu cavalo — ou seja, é uma estátua equestre, utilizada desde a Antiguidade para exaltar figuras consideradas heróicas, como imperadores, reis e militares —, ao que consta, da raça portuguesa alter-real, que sobe uma rampa, de modo a avantajar ainda mais o porte físico do animal. O monumento está voltado para a Baía de Guanabara, com D. João mirando o mesmo local por onde ele e toda Corte portuguesa desembarcaram, no dia 8 de março de 1808. Em sua mão direita, Dom João segura um orbe, isto é, um globo terrestre anexado a uma cruz. O símbolo foi frequentemente usado por reinos católicos, como o de Portugal, para representar o domínio de Cristo — representado pela cruz — sobre o mundo (o orbe).

Estátua equestre em movimento, céu azul e árvores verdes ao fundo.Descrição da imagem: A imagem mostra uma estátua equestre em um dia ensolarado com céu azul. A estátua está posicionada no centro da imagem, com o cavalo e seu cavaleiro em destaque. O cavalo está em movimento, com o rabo erguido e as patas traseiras levantadas. O cavaleiro, vestindo uma capa, segura uma cruz na mão direita. A base da estátua é quadrada e tem inscrições em português. Ao fundo, há árvores verdes e um poste de iluminação.

Na imagem, é possível ver o orbe na mão de D. João, assim como a placa com a indicação do presente de Portugal. Wikimapia

Com quase seis toneladas, a homenagem ao monarca foi construída em bronze, e colocada sobre um pedestal de mármore. Além do impacto exercido no imaginário popular dos cariocas e turistas que passam pelo local, a estátua teve papel fundamental na memória luso-brasileira da população carioca. Em 2012, uma réplica da escultura foi instalada na cidade do Porto, em Portugal.

Estátua equestre em praça pública, com árvores e edifícios ao fundo.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de uma estátua equestre localizada em um espaço público. A estátua está posicionada no centro da imagem, com um pedestal branco em seu baseamento. À esquerda, há árvores verdes e uma estrutura de ponte sobre o fundo. À direita, também há árvores e prédios modernos. No horizonte, o céu está parcialmente nublado, com tons de azul e cinza.

Estátua equestre de D. João VI. Wikimedia Commons

Imagem 1 de 2: Estátua equestre de D. João VI. Wikimedia Commons

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