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Rio de sons

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Episódio 05

Da bossa nova ao funk

0:00faltam 42 min41:57

Transcrição

Só um segundinho aqui.

  1. 0:00Só um segundinho aqui. Eu acho que ela é um processo, né? Um caminho, como possibilidade de expressão. E que só poderia acontecer no Rio de Janeiro por uma série de motivos históricos. Começou a ser produzido pela galera daqui. Eu acho que ela representa, sim, complexidade. Ela é uma síntese, como você falou, é uma síntese. Cada vez mais conseguindo ocupar o seu espaço.
  2. 0:30Ela faz um certo sentido aí, começa a fazer um certo sentido. É muito parte da paisagem sonora. Esta cidade onde estamos, com essa música... Faz parte da vida do carioca. Então ela é uma síntese da cultura brasileira. Não tenho mais para onde correr, sinto muito. Oi! Hoje eu queria começar falando sobre diálogos que parecem impossíveis.
  3. 1:00E logo de cara eu vou te contar que na abertura desse episódio você escutou um diálogo que nunca existiu. Foi a mágica da edição que juntou as frases dos nossos dois convidados. Parece que eles estavam falando do mesmo assunto, né? A música como expressão cultural de um lugar. No nosso caso, o Rio de Janeiro. Só que um estava falando de bossa nova e a outra estava falando de funk.
  4. 1:30Hoje o Rio Memórias recebe a professora Juliana Bragança E o funk, ele segue ao longo de todas essas décadas se reinventando. E o jornalista e escritor Hugo Suckman. A Bolsa Nova é tão cartão postal quanto a Praia de Copacabana. Eu sou a Gabriela Montoni e esse é o quinto episódio da nossa quarta temporada.
  5. 2:00Eu te convido a explorar a Galeria Rio de Sons no nosso museu virtual em rio-memórias.com.br. Hoje a gente vai da bossa nova ao funk para investigar se esse diálogo é possível. São dois sons que marcam a identidade do Rio de Janeiro, ainda que mirando em tipos diferentes de cariocas. Cada um no seu ritmo, cada um do seu jeito. Mas olha, talvez eles tenham mais coisas em comum do que a gente imagina. Vamos ver?
  6. 2:30Capítulo 1. Afinidades improváveis. Pichinguinha, seu nome completo Alfredo da Rocha Viana Júnior
  7. 3:00Lembra dessa gravação? No episódio anterior, você ouviu a voz dos Bambas Nos depoimentos ao Museu da Imagem e do Som Ali, em 1968, o Pichinguinha, mestre do choro Ainda não estava muito convencido com aquele negócio de bossa nova Pode ser que daqui, não é? Mais adiante, que me convença. Mas é preciso, eu já disse, é preciso que eles estudem um pouco para não fazer um caso de erros, não é?
  8. 3:30Para que faça a gente sentir. Então, só para situar, quando o Pixinguinha gravou esse depoimento, o João Gilberto já tinha lançado Chega de Saudade há quase uma década. Garota de Ipanema tinha saído seis anos antes Daqui a pouco eu vou dar uma arrumada nessa linha do tempo Para a gente entender direitinho Mas é curioso perceber que mesmo sem convencer um mestre como Pixinguinha
  9. 4:00A bossa nova, de alguma forma, tem sua história misturada com o choro e com o samba A bossa nova, na verdade, eu acho que ela é um processo Para usar uma palavra contemporânea É um processo, na verdade, dentro desse grande universo que é o samba. O Hugo Suckman, que vai ajudar a gente a entender esse processo, é jornalista, pesquisador de música popular e autor de livros como
  10. 4:30Histórias Paralelas, 50 Anos de Música Brasileira e Nara 1964, sobre o álbum clássico da Nara Leão. O Hugo identifica a Bossa Nova como o resultado de uma jornada que começa lá no século XIX. E a gente passou por esse período no último episódio, com os batuques e as festas da população negra no centro do Rio. Então, eu acho que é esse o movimento da música negra no Rio de Janeiro. Assim, em confronto e em associação com a música europeia. Então, é daí que nasce o samba.
  11. 5:00E, claro, adivinha quem estava no meio desse movimento? Então, a gente pode localizar uma figura como o Pixinguinha. Ele é neto de uma africana, né? Quer dizer, ele é filho de uma baiana no Rio de Janeiro. Quer dizer, nascido nessa região da Cidade Nova, né? Da pequena África. E com formação musical. Formação musical europeia, né? E aí ele tem a obra-prima dele, que é o Carinhoso, o Pixinguinha vai formatar o que a gente chama de choro, só que o Pixinguinha faz também um samba-choro, faz canção brasileira, canção carioca, e o Carinhoso eu acho que é a obra-prima dele, com um tipo de harmonização que na época que foi lançado, em 1919 mais ou menos, foi acusado de que? De americanizado.
  12. 5:30Por quê? Porque trazia um tipo de informação harmônica, né? Quer dizer, o americanizado nem é tão apropriado. É porque a canção americana já tinha essa influência, a canção negra americana. Então já tinha essa harmonia que não era convencional para a música brasileira de então.
  13. 6:00É sempre difícil apontar o momento exato em que um estilo musical surge no Brasil. Uma influência vai se alimentando da outra. E aí vai, né? Aí vai indo. Quer dizer, o samba vai evoluindo para vários caminhos. E tem uma hora, no final dos anos 40, início dos anos 50, que o samba-canção está tão canção, ele já é tão canção, que a gente nem reconhece mais a célula rítmica do samba. Um Alguém Como Tu, de José Maria de Abreu, cantado pelo Dick Farney.
  14. 6:30isso podia ser qualquer outra coisa o samba está ali embaixo o samba está muito diluído, eu acho, nos anos 50 então você tem uma certa juventude e aí eu acho que você tem três nomes Johnny Alf João Donato e João Gilberto
  15. 7:00três jovens, muito jovens, de 20 anos que gostavam de samba daquele samba dos anos 30 da infância deles, que eles ouviam no rádio o samba do Noel Rosa, o samba do Ismael Silva o samba do Ataúfo Alves um samba que ainda tinha aquela rítmica muito acentuada E eu acho que eles começam a trazer de volta essa rítmica, entende? Cada um do seu jeito Então eu acho que a bossa nova propriamente dita É uma retomada da rítmica do samba No contexto dessas harmonias Então é trazer para esse ambiente da música moderna, digamos assim
  16. 7:30Do século XX, a rítmica do samba Então eu acho que bossa nova é isso, basicamente O movimento é outra coisa e veio depois Daqui a pouquinho a gente vai chegar no movimento e no imaginário carioca Mas como essa primeira parte do episódio é sobre afinidades, eu já vou colocar na mesa uma afinidade entre bossa nova e funk, que é justamente essa relação com samba. De jeitos bem diferentes, tá? A bossa nova, como uma espécie de...

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Todos os episódios

  1. 01Sons da fé
    Duração 38:15

    Na abertura da 4ª temporada, um passeio pelos sons da fé no Rio de Janeiro: os sinos das igrejas, os batuques dos terreiros, a pregação evangélica, a força sonora das várias religiões. Entrevistado neste episódio: Luiz Rufino.

  2. 02A cidade dos pianos
    Duração 36:33

    No século 19, os pianos se espalharam por salas de concerto, bailes dançantes e casas abastadas no Rio de Janeiro. Em tempos de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, a cidade ganhou o apelido de Pianópolis. Entrevistado neste episódio: Pedro Paulo Malta.

  3. 03O berço do carnaval
    Duração 35:52

    Uma viagem pelos entrudos, corsos, cordões, sociedades e ranchos: as origens do carnaval no Rio de Janeiro. Entrevistada neste episódio: Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti.

  4. 04A voz dos bambas
    Duração 49:35

    As origens do samba e do choro nas vozes de três gênios da música brasileira: Pixinguinha, Donga e João da Baiana, em seus depoimentos históricos ao Museu da Imagem e do Som.

  5. 05Da bossa nova ao funk
    Duração 41:57

    Um diálogo improvável entre bossa nova e funk, dois sons que marcam a identidade do Rio de Janeiro, cada um no seu ritmo, cada um do seu jeito. Entrevistados neste episódio: Hugo Sukman e Juliana Bragança.

  6. 06Um dia de sons cariocas
    Duração 41:20

    A praia, o vendedor de mate, os ambulantes, as feiras, a voz do metrô, o carro do ferro velho, as rodas de samba: no encerramento da temporada, um passeio pela paisagem sonora do Rio de Janeiro e a história por trás de cada um desses sons.