Entrudo

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Rio Memórias

Até meados do século XIX, o entrudo era a manifestação carnavalesca mais difundida entre a população carioca. A festa, que acontecia nos 3 dias anteriores à Quaresma, teve origem portuguesa e encontrou solo fértil desse lado do Atlântico. Consistia na ocupação das ruas das cidades e dos espaços rurais pelo povo, que brincava jogando água, farinhas e outras coisas mais. Foliões de todas as classes sociais reviravam a cidade de cabeça para baixo, toda e qualquer ordem era subvertida, e o passante desavisado que, por azar, desse de cara com os brincantes, corria sérios riscos de ser “agraciado” com petiscos de recheio duvidoso ou um banho de lama, água suja, café ou até mesmo urina.

Mulher vende limões-de-cheiro em seu tabuleiro. Cena de Carnaval, detalhe, Debret, 1823. Fonte: Blog Ensinar História - Joelza Ester Domingues

Pintura colorida de Carnaval com mulher segurando bandeja de ovos.Descrição da imagem: Esta é uma pintura colorida retratando um cenário de rua durante o Carnaval. Do lado esquerdo, uma mulher está sentada, segurando uma bandeja com ovos. Ela usa um avental branco e um turbante vermelho. Ao seu lado, outra figura está de pé, vestindo um chapéu e uma camisa rosa. Atrás dela, duas pessoas estão conversando, uma segurando uma bandeja com ovos. À direita, uma criança pequena está sorrindo, e ao fundo, uma mulher está levantando um objeto amarelo.

As famílias abastadas praticavam o entrudo familiar, dentro de suas casas, com bisnagas de água perfumada e limões de cheiro, enquanto o melhor da festa acontecia na rua. Era lá que os pobres, inclusive escravizados, misturavam-se para festejar, dançar, cantar e liberar as energias, atacando quem passasse com sua “munição”! Era um espaço de “subversão de cidadanias negadas”, nas palavras de Luiz Antônio Simas.

Jogos durante o entrudo no Rio de Janeiro. Aquarela de Augustus Earle, 1822. Fonte: Blog Ensinar História - Joelza Ester Domingues

Cenário festivo em casa com danças e interações variadas.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata um cenário animado dentro de uma casa. A imagem está em cores vivas, com pessoas dançando e interagindo em diferentes posições. Do lado esquerdo, vemos alguns homens vestidos com roupas tradicionais, enquanto à direita, mulheres dançam e seguram objetos. No centro, uma figura sentada em uma cadeira parece estar observando a festa. Ao fundo, através das janelas, vemos mais pessoas assistindo à celebração.

Apesar do sucesso do entrudo, foram muitas as tentativas de proibir a festa. No período republicano, a repressão se intensificou. Na década de 1890, choveram proibições legais e ações policiais, ecoando a forte campanha negativa empreendida pela imprensa e por uma elite que tentava se desvincular das manifestações populares e implementar as práticas higienistas.

A despeito de toda a repressão, o entrudo se manteve presente na cidade até os primeiros anos do século XX e, junto aos cordões e seus mascarados, fizeram a alegria de grande parte da população.

Carnaval na rua do Ouvidor. Angelo Agostini (detalhe), 1884. Fonte: Blog Ensinar História - Joelza Ester Domingues

Gravura festiva em preto e branco com multidão caminhando e jogando objetos.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco representando um evento festivo. Na parte superior, várias pessoas estão em varandas, jogando objetos para baixo. No centro, uma multidão de homens caminha em direção à esquerda, alguns segurando objetos. A cena ocorre em frente a uma construção com portas e janelas.

Referências:

ENDERS, Armelle. A história do Rio de Janeiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Gryphus, 2015. MONTEIRO, Débora Paiva. O mais querido "fora da lei": um estudo sobre o entrudo na cidade do Rio de Janeiro (1889-1910). Disponível em: Encontro ANPUH 2010 SIMAS, Luiz Antônio. O corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Cordões carnavalescos