Rio de Marés

CURADORIA

Mario Brum

Como era o território da Maré antes de existir, com a atual configuração de um conjunto com 16 favelas? Como era antes, o litoral norte da cidade, com as praias e as ilhas da Baía de Guanabara? Quais foram as primeiras destinações do território que atualmente serve à cidade de várias formas – do fornecimento de mão de obra a área destinada a receber resíduos – e recebe tão pouco em troca? A pergunta inicial pode ser feita em qualquer bairro ou cidade do mundo. Quando se trata da América do Sul, que viveu a colonização europeia, o genocídio e a expulsão dos povos originários, ela adquire ainda mais relevância. A galeria Rio de Marés aborda o Complexo da Maré desde os primeiros séculos de colonização do Rio de Janeiro: a formação do território às margens da baía e sua natureza exuberante, aldeias de pescadores, fazendas, cais e, a partir do século XX, cada vez mais constantes, os danos ambientais na região.

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Poucos meses depois da Conferência Mundial sobre Meio Ambiente realizada no Rio de Janeiro (mais conhecida como Rio-92), uma das lideranças da Maré, Agamenon de Almeida, fez uma denúncia no jornal O Globo a respeito da poluição que os moradores do Conjunto Esperança passaram a conviver a partir das obras da Linha Vermelha e a Usina de Lixo do Caju. Há muito tempo, os moradores da Maré vivem as consequências das disputas e escolhas feitas nas gestões urbanas do Rio de Janeiro. A desigualdade ambiental se reflete na desigualdade do acesso à saúde. E renda e raça ainda são critérios para distribuição das benesses urbanas e dos elementos fundamentais para o funcionamento de uma cidade.

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