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Rio Memórias

A nossa República nasceu de um golpe militar que aconteceu no Rio de Janeiro. Desde então, a cidade presenciou muitos outros golpes.

Em 1889, em meio à crise política que isolava cada vez mais a Monarquia - e a despeito de sua popularidade entre a população pobre - na manhã de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca entrou no quartel-general do Exército no campo de Santana e, sem enfrentar resistência, anunciou a destituição do governo e a demissão do primeiro-ministro, o visconde de Ouro Preto.

Proclamação da República, 1890. Na tela, o presidente Marechal Deodoro da Fonseca. Obra de Henrique Bernardelli (1858-1936). Imagem em domínio público (Wikimedia Commons)

Homem militar em cavalo, tropas em movimento, arco iluminado.Descrição da imagem: Esta é uma pintura retratando um homem montado em um cavalo. A figura principal está no centro, com o cavalo ocupando grande parte da composição. O homem, vestindo uniforme militar, segura um capacete na mão direita levantada. Ao fundo, outros soldados e figuras humanas estão presentes, sugerindo uma cena de tropas em movimento. O ambiente parece ser uma entrada de arco, com luz entrando pela abertura.

Diferentes setores se uniram para levar a cabo o golpe e derrubar a Monarquia: desde as elites agrárias que se ressentiam da abolição da escravidão (1888) - sem indenização aos escravocratas - até o Exército, insatisfeito com o tratamento que o governo imperial reservava aos militares. Não houve reação dos monarquistas, e o golpe foi bem-sucedido.

Entretanto, havia fragmentação política entre os republicanos, e a falta de consenso após a proclamação de uma República titubeante fez com que o novo regime só viesse a se consolidar em 1894, após duas Revoltas da Armada (1891 e 1893) e algumas tentativas de golpe - uma delas do próprio Deodoro, eleito presidente pelos deputados constituintes em fevereiro de 1891.

Deodoro ordenou o fechamento do Congresso e decretou estado de sítio. Arte de Angelo Agostini para a Revista Illustrada, 1892. Legenda original: "Fechamento das Camaras - Au revoir."

Gravura preto e branco de homens em trajes formais caminhando em rua estreita entre Câmara e Senado.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco. Mostra um grupo de homens em trajes formais, incluindo chapéus altos, caminhando em uma rua estreita entre dois edifícios. À esquerda, há uma porta marcada com a palavra "Câmara" e à direita, outra porta com a palavra "Senado". Os homens estão distribuídos ao longo da rua, alguns estão perto das portas, enquanto outros caminham pela calçada. A rua é pavimentada com pedras e tem um traço de trilho ferroviário atravessando o meio.

Em novembro de 1891, por conta de seu autoritarismo e inabilidade de lidar com a oposição, o presidente - em flagrante violação da Constituição - tentou dar um golpe, assinando um decreto que ordenava o fechamento do Congresso. Esse foi o pano de fundo da eclosão da Primeira Revolta da Armada (nome da Marinha na época), que exigia a reabertura do Congresso sob ameaça de bombardear a cidade. Com receio de uma derrota ou de desencadear uma guerra civil, o presidente renunciou em 23 de novembro, deixando o cargo a Floriano Peixoto, que não convocou novas eleições até 1894.

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