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Rio Memórias

Apesar do centro financeiro e institucional das artes visuais terem em São Paulo seu principal espaço de referência e circulação – com galerias como Fortes Vilaça, Luisa Strina, Nara Roesler e Vermelho ou instituições como a Bienal – é no Rio de Janeiro que os artistas de maior destaque internacional do país têm seus ateliês.

Ambiente natural e arquitetônico com floresta, edifícios e vegetação verde.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um ambiente natural e arquitetônico. Do lado esquerdo, vemos uma floresta densa com árvores altas e folhagens verdes. No centro, há uma estrutura moderna com formas geométricas e paredes brancas. À direita, um edifício com varandas e janelas grandes está integrado à vegetação. O chão é coberto por plantas baixas e arbustos verdes. A disposição espacial vai do fundo para o primeiro plano, com a floresta no fundo, o edifício central e o jardim no primeiro plano. As cores são predominantemente verdes das plantas e brancas das construções.

Ateliê de Adriana Varejão, Jardim Botânico. Foto: site Tendências MAG

A partir do século XXI, a relação da arte de países em desenvolvimento (ou “periféricos”, como se passou a dizer) com os grandes centros mundiais muda substancialmente. Os discursos sobre a produção e suas referências históricas como “nacional” ou “latino-americano” também sofreram alterações. Afinal, mesmo que a circulação da obra de arte seja mundial, a marca local do artista e sua perspectiva político-cultural a respeito de sua cidade, região ou país não se apaga. Cidades contemporâneas como o Rio são, cada vez mais, espaços de exercício entre o esvaziamento e o acirramento das situações locais frente às demandas globais da arte e dos novos sujeitos culturais que surgem no período. O dado local se transforma em componente crítico, em ferramenta de alargamento do universal, e não em gueto redutor de “purezas” ou folclores.

Ateliê com pintura abstrata, móveis e objetos artísticos.Descrição da imagem: A imagem mostra um ateliê com uma grande pintura abstrata pendurada na parede à direita. A esquerda, há uma escada e uma porta aberta, revelando um espaço interno com móveis e objetos. Na frente, há uma mesa com diversos itens artísticos, incluindo pincéis e tubos de tinta. O chão é de cerâmica branca, e o teto é de madeira com vigas expostas.

Ateliê de Beatriz Milhazes, Horto, Rio de Janeiro. Fonte: Zedd Brasil

Nesse contexto, ocorre nos anos 2000 o crescimento internacional (seja comercialmente, seja artisticamente falando) de uma série de artistas como Beatriz Milhazes, Ernesto Neto, Adriana Varejão ou Luiz Zerbini. A circulação crescente desses trabalhos feitos no Rio de Janeiro através de exposições – coletivas e individuais – é reforçada por retrospectivas ou exposições consagradoras de alguns dos grandes nomes nacionais do século XX, cujos ateliês e trajetórias também estão ligados à cidade. É o caso de Cildo Meirelles, Ana Maria Maiolino e Tunga.

Espaço interno com instalação artística, escultura colorida e arcos de pedra.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um espaço interno com uma instalação artística. Do lado esquerdo, vemos uma estrutura vertical com colunas de concreto. No centro, há uma grande escultura colorida, feita de fios, que parece ser uma representação abstrata de um animal ou planta. A cor da escultura varia de vermelho a verde, passando por amarelo e azul. À direita, há arcos de pedra e uma pessoa caminhando. Na parte superior, há uma rede de fios pendurada, adicionando texturas diferentes à cena. O chão é de tijolos claros, e há luz natural entrando pelas janelas atrás dos arcos.

Instalação “O bicho suspenso na paisagem”, de Ernesto Neto na Estação Leopoldina, 2012. Foto: site Mariana Magalhães Costa

Esse cenário fez da cidade um espaço de renovação em que novos museus – como O Museu de Arte do Rio (MAR), localizado no coração da Praça Mauá – ou novos eventos – como a Feira Art Rio – passassem a crescer. Ter o cotidiano criativo desses artistas internacionais na cidade transforma os artistas cariocas em artistas do mundo, como é o caso de Maxwell Alexandre, nascido na comunidade da Rocinha e incorporado nos grandes centros internacionais da arte.

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Memória 1 de 4: Arte Pública