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Rio Memórias

Depois do delírio modernista na década de 1920, veio a crise de 1929 e, a seguir, a Revolução de 1930; com ela, Getúlio Vargas. A novidade agora era a tentativa de incorporar à cidade parte dos segmentos populares excluídos anteriormente por meio de políticas sociais corporativas. O objetivo era evitar que o movimento social e a esquerda assumissem o controle das ruas, e, para isso, toda a capacidade repressiva do Estado seria usada, assim como a dimensão do nacionalismo populista.

Mas Vargas também expandiu a cidade em direção à baixada da Guanabara, abrindo uma nova avenida chamada Brasil (nos anos 1940). Essa ação aproximou a cidade do seu entorno, aumentando a oferta de postos de trabalho na economia e na burocracia do Estado. As camadas médias também foram contempladas, usufruindo da política de educação que valorizou as escolas normais e os professores.

Estrada com tráfego, incluindo um ônibus antigo em movimento e vários veículos circulando.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma estrada com tráfego. Do lado esquerdo, há um ônibus antigo em movimento. Ao centro, várias viaturas, incluindo carros e caminhões, estão circulando pela via. À direita, há um carro clássico parado. No fundo, há uma linha de árvores e uma colina. As lâmpadas de rua estão suspensas sobre a estrada.

A avenida Brasil começou a ser construída durante a gestão de Getúlio Vargas. Arquivo Nacional - Wikimedia Commons

A cidade, no entanto, precisava assumir, através da arquitetura, a materialidade desse novo tempo, que foi reproduzida pelas edificações monumentais dos prédios dos ministérios da Fazenda e do Trabalho.

Edifício monumental com janelas horizontais, telhados vermelhos e céu parcialmente nublado.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um edifício monumental, com várias janelas dispostas em fileiras horizontais. A estrutura principal é de cor bege claro, com detalhes arquitetônicos clássicos. À esquerda, há um prédio mais moderno, de cor azul, enquanto à direita, há outro edifício de cor bege, menos alto. No primeiro plano, vemos telhados de telhas vermelhas e algumas árvores verdes. O céu está parcialmente nublado, permitindo que a luz natural ilumine o cenário.

Edifício do Ministério da Fazenda, na avenida Presidente Antônio Carlos. Inaugurado em 1943, foi construído em estilo neoclássico. Foto de Rodrigo Soldon, site

IPatrimônio

A política social varguista produziu uma feição nova para o Rio - principalmente, no segundo mandato -, marcada pela separação entre as zonas norte e sul. Os sindicatos e os institutos ocuparam as margens da cidade, mobilizando capital e trabalho. O regimento de intervenção produziu mudanças e alterou as paisagens, às vezes de forma paradoxal, como no caso dos parques proletários na Gávea, na década de 1940, e da ocupação do Jardim de Alá pelo Sindicato dos Jornalistas, na década de 1950.

Essas mudanças merecem atenção, porque afetaram a zona sul, que ficou em compasso de espera frente à valorização das classes operárias patrocinada pela política de Vargas. O ideal de trabalho e de trabalhador como expressão do novo tempo gerou efeitos e modificou a correlação de forças na sociedade carioca.

A conjuntura política também se modificou, e o fim do Estado Novo abriu caminho para a redemocratização em 1945. Mas a entrada do marechal Dutra no comando do Estado manteve a perspectiva moralizante do seu antecessor quanto à vida urbana, o que resultou no fechamento dos cassinos e na proibição do jogo de azar.

Jornal antigo em preto e branco sobre demissões de funcionários de cassinos.Descrição da imagem: A imagem é um jornal antigo em preto e branco. No topo, em letras grandes, está escrito "A SITUAÇÃO DOS EMPREGADOS DOS CASSINOS". Abaixo, em letras menores, continua "UMA REUNIÃO NO MINISTÉRIO DO TRABALHO". O texto descreve uma reunião sobre a situação dos funcionários dos cassinos, que foram demitidos devido à proibição do jogo. O ministro Negro de Lima autorizou a divulgação de um convite para uma reunião no Ministério do Trabalho. O jornal menciona que haverá uma comissão representando os funcionários demitidos e que a reunião será às 10 horas na segunda-feira. O título do jornal é "O TEMPO".

Com a proibição dos cassinos, em abril de 1946, milhares de pessoas ficaram desempregadas. Matéria do jornal

A Noite

de 02/05/1946. Ed. 12249 - Hemeroteca Digital

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Memória 1 de 4: Edifício Avenida Central