Mãed’águadoscariocas

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Rio Memórias

Mãe d’água, rainha das ondas, sereia do mar. Mãe d’água, seu canto é bonito quando tem luar. Ponto de Umbanda em homenagem à Iemanjá
Três pessoas observam uma cascata em Rio de Janeiro.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco. A imagem mostra um cenário natural com três pessoas observando uma cascata. Do lado esquerdo, há uma árvore grande com tronco curvo e folhagem esparsa. Ao centro, há uma cascata fluindo sobre rochas. À direita, há uma área densamente coberta por vegetação. As pessoas estão perto da cascata, com dois deles vestidos de forma clara e o terceiro usando um chapéu. No topo da imagem, está escrito "RIO DE JANEIRO" e no fundo inferior, "Mãe d'água".

“Mãi D’água”, Pieter Godfried Bertichen – 1856. Acervo Brasiliana Itaú

Filha do oceano, a cidade do Rio também tem mãe. A mãe-d’água do rio Carioca, nascente situada na Floresta da Tijuca, alimentava a cidade e em torno de sua presença e de sua história se criou toda uma reverência e muitas lendas. Este local mítico e real, onde foi construída a caixa d’água de captação do rio, tornou-se um marco na história da própria sobrevivência na cidade. Como afirma a historiadora Lorelai Kury, o lugar esteve no centro de algumas das construções simbólicas da nacionalidade, num tempo em que as riquezas naturais da terra fundamentam uma visão de pátria brasileira.

Estrutura histórica cercada por vegetação, com fonte circular e construção de pedra.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um local chamado "Mãe d'água dos cariocas". A imagem mostra uma estrutura histórica cercada por vegetação. Do lado esquerdo, há uma árvore grande com folhas verdes. No centro, há uma fonte circular com água, rodeada por palmeiras. À direita, há uma construção de pedra com uma entrada arqueada. O fundo está coberto por muitas plantas e árvores.

A caixa da Mãe d’água (1774), em Santa Teresa. Foto retirada do site IPatrimônio

O nome mãe-d’água que lhe foi atribuído não só indica ser o local da matriz do rio que alimentava a cidade, como se relaciona diretamente a um imaginário indígena das criaturas lendárias que habitam as fontes de água doce. Juntaram-se a esta tradição cultural formas africanas de compreender a natureza como sagrada, e as mães das águas salgadas e doces se encontraram, se articularam, e se misturaram. Afinal, mãe-d’água também é sereia.

O rio Carioca foi, durante muito tempo, a principal fonte de água potável da cidade e, além de ser utilizado também para a rega do plantio e a criação de animais, suas fontes, chafarizes e córregos eram espaços das lavadeiras — lugares de trabalho, de encontro e sociabilidade. Os viajantes do século XIX retrataram muitas cenas destas mulheres em atividade.

Gravura urbana com edifícios históricos e pessoas caminhando.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco. A imagem mostra uma cena urbana com várias construções históricas. Do lado esquerdo, há um edifício com a palavra "CARAÇO" escrita em destaque. Ao centro, há uma escadaria que leva até outro edifício mais alto, onde se destacam algumas cúpulas e torres. À direita, há um prédio com muitas janelas e um balcão. No primeiro plano, pessoas caminham e um carrinho de mão está parado. O céu é claro e o horizonte está ligeiramente desfocado.

O segundo chafariz da carioca (à esquerda), inaugurado em 1830 e que tinha a função de abastecer a cidade com as águas que desciam do aqueduto da carioca. Gravura de Carlos Linde, 1860. Coleção Brasiliana Itaú

Houve outros rios importantes no início da história da cidade, como o Maracanã, o Comprido e o Trapicheiros, todos vitais para o Rio de Janeiro existir, sobreviver e crescer. Esses rios, seus afluentes e suas fontes desenharam formas de ocupação da cidade, sobretudo até o fim do século XIX. Na virada do século XX, outras águas foram chamadas para atender a cidade. Os rios Covanca, Mendanha e Piraquara tiveram seus percursos alterados para abastecer o Rio.

Construção em preto e branco, Av. Maracanã, 1938.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco mostrando um local de construção ou reforma. À esquerda, há uma área com estruturas de tijolos e madeira, possivelmente parte de uma obra em andamento. No centro, vê-se um grande buraco escavado no solo, com estruturas de madeira dentro dele. À direita, há uma construção de tijolos parcialmente concluída, com telhado inclinado. Ao fundo, há uma casa branca com telhado inclinado e uma árvore grande à direita. Há também uma árvore grande à esquerda, além de arbustos e vegetação ao longo do fundo da imagem. Na parte inferior esquerda, está escrito "Av. Maracanã" e "1938".

Construção do canal do Rio Trapicheiros (Tijuca), que começou a ser canalizado no fim do século XIX. Foto: Augusto Malta – Instituto Moreira Salles

Hoje, quase esquecidos, os rios do Rio ainda resistem e seguem, a despeito de tudo, desaguando suas sofridas águas na baía e assim, mantendo-se conectados ao Atlântico. É possível ver sua presença e seus sinais.

Paisagem costeira com céu azul, ilha verde, rocha escarpada e vegetação densa.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma paisagem costeira com um céu azul claro e algumas nuvens dispersas. Do lado esquerdo, há uma ilha coberta de vegetação verde. No centro, há uma grande rocha escarpada, conhecida como o Pão de Açúcar, com edifícios construídos em sua base. A direita, há uma área com vegetação densa e pedras ao longo da costa. O primeiro plano apresenta plantas verdes próximas à água.

Foz do Rio Carioca, desembocando na Baía de Guanabara pelo Flamengo. Foto: Joy Rio Turismo

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