Terreiros

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Rio Memórias

O meu quintal é um terreiro Onde canta o sabiá Meu quintal é brasileiro Pede licença pra entrar Trecho da canção “Terreiro” — grupo musical O Grilo

Nas décadas que se seguiram ao fim do tráfico atlântico e ao fim da escravidão africana, em casas de famílias negras — muitas vezes chefiadas por mulheres — tambores noturnos acompanhavam celebrações religiosas em que deuses de origem africana assumiam novas roupagens na diáspora carioca. Realizadas às escondidas e duramente reprimidas, guardavam forte relação com o vínculo com a África e o Atlântico que o Cais do Valongo, então oculto pelo cais da Imperatriz, ainda representava.

Barcos flutuando em rio histórico com edifícios industriais ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco. No primeiro plano, vemos três barcos flutuando sobre um rio. Do lado esquerdo, há um barco com uma estrutura elevada, possivelmente uma torre de água. Ao centro, outro barco menor está parado, enquanto à direita, um terceiro barco também está presente. No fundo, vemos uma série de edifícios industriais e residenciais, incluindo uma grande fábrica com várias estruturas laterais. À esquerda do horizonte, há uma montanha com forma irregular. A imagem parece capturar uma cidade costeira histórica.

Embarcações vindas da Bahia e outras províncias chegavam ao porto do Rio com africanos e seus descendentes. Armazéns da Alfândega – ao fundo, o morro do Castelo. Rodrigues & C°. Editores e Proprietários/ Instituto Moreira Salles

Além disso, casas de candomblé tornaram-se locais de acolhida para os africanos e afrodescendentes que chegavam de outras partes do país, sobretudo da Bahia, a partir da segunda metade do século XIX e início do século XX. Registros contam que na Pedra do Sal, uma casa dedicada à Oxalá, ao saber que estava para aportar alguma embarcação vinda da província da Bahia, pendurava seu pano de cor branca na sacada para avisar aos recém chegados que ali poderiam ser recebidos e cuidados por seus irmãos de fé, até que pudessem se aprumar.

Evento comunitário com mulheres em saias e homens em coroas.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um evento comunitário. Do lado esquerdo, vemos mulheres vestindo saias longas e blusas brancas, algumas segurando flores. No centro, um homem está vestido com uma coroa e uma capa, segurando um objecto pontiagudo. À sua direita, outra mulher, também com uma coroa, está vestida com um vestido longo e segurando flores. No fundo, há construções e pessoas observando o evento. No chão, à frente, está um objeto que parece ser uma garrafa de vidro.

Os ritos e celebração de matriz africana, assim como as redes de sociabilidade que os acompanham, atravessaram os tempos. Celebração a Iemanjá em Ipanema – jan. 1973. Arquivo Nacional / Fundo Correio da Manhã

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