Rio Atlântico
CURADORIA
Monica Lima
Aí está ele, o mar, o mais ininteligível das existências não humanas
. (Clarice Lispector. Águas do Mundo) O Rio de Janeiro é uma cidade atlântica, como indicam os mapas e afirma a Geografia. Mas, a História faz do Rio uma cidade afro-atlântica: sua relação com o
Mar Oceano
se deu em grande parte por articular-se com esta outra margem, e sua importância no chamado Mundo Atlântico surge principalmente a partir da conexão com a África. O Rio de Janeiro é uma cidade porto, um lugar de chegadas e partidas, e também de ligação com as rotas internas que irão colocar em contato o mar – em todas as suas margens – com o interior do país. O mar, com seus sons e imagens, é elemento transversal a todas as salas.
Explore as salas
Explore as salas
O Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX era uma cidade cheia de africanos de diferentes origens. O que foi percebido e narrado nos relatos dos viajantes da época era um espetáculo cotidiano de africanidades circulando e marcando presença, sobretudo nas ruas próximas ao porto e ao centro da cidade. Tudo isso estava relacionado à escravidão e à intensidade da atividade do tráfico atlântico de africanos trazidos cativos para o Brasil, sendo então o Rio de Janeiro o principal porto de entrada. Especialmente durante as três primeiras décadas do século XIX, a cada semana, ou a cada mês, dependendo da demanda, chegavam embarcações da África com mais pessoas, o que impregnava a vida da cidade com sua humanidade. Ainda que fossem nomeados e tratados como mercadoria, nelas nunca se transformaram, e imprimiram sua cultura no mundo que os cercava.