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Rio Memórias

Faz tanto tempo, tempo é porto da saudade Praias do Rio de Janeiro no verão Quero o destino das águas dos oceanos Porto da Saudade, Alceu Valença
Praça histórica com edifícios coloridos e pessoas caminhando.Descrição da imagem: Esta é uma pintura que retrata uma praça histórica. Do lado esquerdo, vemos um edifício com várias janelas e telhado vermelho. Ao centro, há uma estrutura com cúpula e torre, possivelmente um monumento ou estátua. À direita, há outro grande edifício com telhado verde. No fundo, vemos uma igreja com torre e cúpula. A praça está cheia de pessoas caminhando e algumas estão perto de um muro. Na parte inferior da imagem, há uma pequena água com barcos.

O porto da Praça XV foi um dos mais importantes da cidade. Vista da praça do palácio, Jean-Baptiste Debret, 1839. Biblioteca Nacional

Como uma cidade atlântica conectada ao mundo por rotas transoceânicas, um dos mais importantes equipamentos do Rio de Janeiro era seu porto. As condições que a Baía de Guanabara oferecia aos navegantes do Oceano Atlântico influenciaram diretamente a escolha do local para a fundação da cidade. Durante o tempo inicial da presença portuguesa no território, funcionou como porto de aguada e abastecimento de gêneros nos caminhos marítimos em direção ao Rio da Prata, mas logo em seguida estabeleceu-se como local de produção e distribuição de alimentos para outras partes do Brasil. No século XVIII, torna-se um porto estratégico, recebendo milhares de africanos escravizados e embarcando a produção de metais preciosos trazidos do interior do país.

Barco em movimento com figura de homem segurando o timão.Descrição da imagem: Esta é uma pintura em preto e branco mostrando uma cena de barco em movimento. Do lado esquerdo, vemos um homem de costas, vestindo um chapéu e uma roupa clara, segurando o timão. À frente dele, dentro do barco, estão várias pessoas sentadas, algumas com chapéus e outros com roupas mais simples. Atrás delas, há uma estrutura de madeira que parece ser parte do barco. No fundo, vemos montanhas e outros navios à distância.

Remadores no barco da Guarda-Mor do Rio de Janeiro. Tela de Paul-Harro Harring, 1840. Instituto Moreira Salles

Mas, até finais do século XIX, o porto do Rio se dividia em diversos locais de embarque e desembarque de pessoas e mercadorias, entre os píers de trapiches e os diferentes cais da zona portuária. Como não havia profundidade suficiente para os navios atracarem junto às praias, pequenas embarcações faziam o transporte até a terra firme. Os remadores eram em quase sua totalidade africanos ou seus descendentes diretos, e habilmente conduziam seus barcos até os locais de desembarque, sem deixar de passar antes pela fiscalização da Alfândega.

Porto industrial com mar e edifícios históricos.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um porto e mar. Do lado esquerdo, vemos o mar com algumas pequenas embarcações flutuando. No centro, há uma série de construções industriais, incluindo uma grande fábrica com várias estruturas e chaminés. À direita, há edifícios históricos com telhados de telhas, alguns com arcos na entrada. No fundo, há uma colina com vegetação e uma construção isolada à direita.

Docas da Alfândega e Mercado do Peixe, em segundo plano; ao fundo, à direita, morro do Castelo e, à esquerda, ilha de Villegaignon. Marc Ferrez, c. 1900-1910 – Instituto Moreira Salles

A partir de 1890 se iniciam obras de menor porte que foram concluídas no século XX e foi somente no governo Rodrigues Alves (1902-1906), que a reforma ganhou forte impulso, dado o crescimento da atividade de importação pelo porto do Rio de Janeiro. Essas reformas ampliaram a distância entre a praia e o mar da Baía de Guanabara, abriram ruas e derrubaram casas. Outras intervenções urbanísticas foram realizadas na região portuária ao longo dos séculos XX e XXI, com impactos sobre a população local. Rebeliões e protestos mobilizaram a região portuária, como na Revolta da Vacina em 1904, o maior conflito urbano da história da cidade. Trata-se de uma região densamente ocupada, com longa história de vínculo e sentimento de pertencimento de seus habitantes com relação ao porto. São moradores de bairros como Saúde, Gamboa e Santo Cristo, cariocas de diferentes origens voltados para o mar e por ele atingidos.

Trabalhadores em porto antigo, navio e água ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco mostrando trabalhadores em um ambiente portuário. À esquerda, vemos um grande corpo d'água, enquanto à direita está um navio com uma estrutura metálica. Pessoas estão distribuídas ao longo de uma barreira de concreto que separa o navio do mar. Algumas estão perto do navio, enquanto outras estão mais distantes, formando grupos. Atrás delas, há uma área aberta com água. Na parte inferior direita, um homem está perto de uma máquina de vapor marcada com "N°14".

Trabalhadores do porto do Rio de Janeiro, c. 1904-1913. Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro

Outras memórias

Memória 1 de 4: Praias