FábricadeTecidosCorcovado

Tempo de leitura 3 min

Rio Memórias

Localizada no Jardim Botânico, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, a Fábrica de Tecidos Corcovado foi fundada por José da Cruz em 1889, como parte da Companhia de Fiação e Tecidos Corcovado. Instalada na rua Jardim Botânico, ocupava o antigo terreno da Chácara de João Calhau - entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Parque Lage - e sua atividade principal era a tecelagem de fios de algodão.

Uma fotografia antiga em preto e branco mostra vegetação, água, construção industrial, árvore desidratada, montanhas e um homem olhando para a paisagem.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco. Do lado esquerdo, vemos uma vegetação densa com árvores e arbustos. No centro, há um corpo d'água, possivelmente um lago ou rio, com uma construção industrial à distância. À direita, há uma árvore grande e desidratada. No horizonte, vemos montanhas cobertas por vegetação. Na parte inferior da imagem, um homem está de pé atrás de uma cerca de madeira, olhando para a paisagem.

Lagoa Rodrigo de Freitas e, ao fundo, a Fábrica Corcovado - Marc Ferrez - Acervo: Instituto Moreira Salles

A fábrica chegou a ter cerca de mil funcionários entre homens, mulheres e crianças, e tinha em seu quadro de operários, além de brasileiros - negros e brancos -, imigrantes europeus de origens diversas. Após a inauguração das fábricas (a Fábrica Carioca também se instalou no Jardim Botânico, em 1884), essa região da Zona Sul passou a atrair muitos trabalhadores, devido à crescente procura por mão de obra industrial.

A fim de atender às demandas por moradias dos operários, foram construídas as vilas operárias, mas, a fábrica Corcovado, para manter o contingente de trabalhadores em ordem e fazê-los permanecer na região, lançou mão de estratégias que iam além da moradia: investia na mobilidade, na comodidade e na assistência aos funcionários.

A fábrica inaugurou, em 1903, uma creche para atender aos filhos de operárias durante suas jornadas de trabalho. Com oferta de atendimento médico e aleitamento, as crianças ainda podiam ser visitadas 2 vezes ao dia. Dessa forma, a diretoria da companhia conseguiu garantir a frequência regular de grande parte do operariado. O proprietário da fábrica Corcovado, José Cruz, foi o precursor das creches patronais nas fábricas cariocas.

A localização da fábrica era estratégica: próxima ao centro da cidade e com linhas de bonde desde 1871, a região ainda contava com diversos rios nas imediações, o que era fundamental para a produção fabril.

Em 1898 foi edificada a Capela de São José, instalada em local próximo à atual Paróquia São José - também conhecida como "Igreja de Vidro" - na Lagoa Rodrigo de Freitas. A capela ficava defronte à Fábrica de Tecidos Corcovado. Como parte da estrutura que mantinha o interesse dos operários, a Companhia de Fiação e Tecidos Corcovado possuía em seus domínios uma instituição de ensino - a Escola Sotto Maior, com turmas divididas por sexo.

Turma escolar em foto antiga, crianças e adultos em uniformes.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga de uma turma escolar. Na parte frontal estão crianças vestidas com uniformes brancos, seguidas por adultos. À esquerda está uma mulher de uniforme, possivelmente uma professora, e à direita está um homem de terno preto. No fundo há uma grade metálica e uma construção. A imagem é em preto e branco. No rodapé está escrito "J. DIAS CORRÊA PHOT. AMADOR".

Alunas da escola Sotto Maior, da Fábrica Corcovado. Fotógrafo: J. Dias Corrêa - Revista Fon-fon, 1915. Hemeroteca Digital

Todas essas instituições fomentadas pela fábrica, visavam o controle sobre os operários. A disciplina era a pedra de toque da produção, os horários de entrada e saída rigidamente controlados, a atenção com os conflitos e desordens fora da fábrica também. Os operários precisavam seguir essas normas sob o risco de perderem o emprego e, com ele, o acesso à moradia.

Porém, a precariedade dos locais de trabalho com espaços sem janelas, cargas horárias excessivas e os salários baixos alimentavam o descontentamento dos operários, que tinham nas greves, uma ferramenta de luta por melhores condições de trabalho. O local chegou a sofrer um incêndio, em 1928, deixando 10 funcionários feridos.

Jornal antigo em preto e branco sobre explosão em fábrica.Descrição da imagem: A imagem é um jornal antigo em preto e branco. No topo, há um título grande em destaque que lê "GRANDE EXPLOSAÇÃO". Abaixo, há um texto narrando um incidente de explosão em uma fábrica de tecidos chamada Corcovado. Há duas fotos em destaque: uma a esquerda mostra uma pessoa de perfil, usando um terno e gravata, e outra a direita mostra uma pessoa de frente, usando um chapéu e roupas mais casuais. Ambas as fotos estão em preto e branco. Entre elas, há uma foto de grupo com várias pessoas em pé, possivelmente funcionários da fábrica. Ao fundo, há uma imagem do tampão de uma caldeira, que foi arremessado por cerca de 40 metros devido à explosão.

Jornal do Brasil, ed. 148, de 20 de junho de 1928 - Hemeroteca Digital

Nos anos 1940, a fábrica Corcovado abriu falência, após enfrentar a grande crise que atingiu as fábricas têxteis após a Segunda Guerra Mundial. O terreno da companhia foi desmembrado e loteado para a construção de casas. Com a especulação imobiliária, a região deixou de ser proletária e passou a receber as camadas mais ricas da sociedade carioca.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Companhia de Fiação e Tecidos Confiança Industrial