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Rio Memórias

A inauguração da Companhia de Fiação e Tecidos Confiança, em 1885, deu um novo impulso ao bairro de Vila Isabel. Os benefícios fiscais oferecidos pelo governo, os recursos hídricos do rio Joana - força motriz necessária para o funcionamento das caldeiras antes da introdução da luz elétrica - e a chegada da Companhia de Bondes Ferro Carril foram determinantes para a decisão de instalar a fábrica na Rua Maxwell.

Fábrica industrial com portão metálico e torre antiga.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma fábrica industrial. Do lado esquerdo, há um portão com grades metálicas decoradas. Ao fundo, vemos árvores e uma construção antiga. No centro, há um edifício com janelas retangulares e uma torre. À direita, parte de outro prédio é visível. Na parte superior, há um sinal com o texto "A CONFIANCA INDUSTRIAL".

Fachada da Fábrica Confiança. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional

No início do séc. XX, a fábrica Confiança tornou-se uma das maiores do Brasil e, a exemplo de outras indústrias têxteis, dispunha de escola para filhos dos trabalhadores, farmácia e vilas operárias. O clube de futebol dos operários, o Confiança Atlético Club, foi criado em 1915 e disputou importantes torneios e campeonatos no Rio de Janeiro, mas foi extinto no início da década de 1990.

Rua urbana com edifícios e pessoas caminhando.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma rua urbana. À esquerda, há um edifício com janelas e uma fachada clara. No centro, há uma rua larga com pessoas caminhando e um carro antigo estacionado. À direita, há mais edifícios e uma parede branca. No fundo, há um prédio maior com muitas janelas. As linhas elétricas são visíveis ao longo da rua.

Conjunto residencial da fábrica Confiança, em Vila Isabel (RJ) - 1958. Autoria de Pedro Pinchas e Tibor Jablonsky. Acervo: Biblioteca IBGE

Com a crise de 1929, as vendas caíram drasticamente, ocasionando a demissão em massa de funcionários e a venda da fábrica para a família Menezes, originária do Recife, em 1933. Os Menezes deram um novo direcionamento à companhia, contratando muitos trabalhadores de Pernambuco, além de implementar a repartição dos lucros com os funcionários. Sob a administração de Joaquim Lacerda de Menezes, a empresa viveu seu melhor período, mas, após seu falecimento, veio uma nova crise que acabou levando a outra troca de controle: a fábrica passou para as mãos do grupo paulista J. J. Abdalla. Sem alcançar o sucesso esperado, a empresa encerrou definitivamente as atividades depois de quase 85 anos.

Edifício industrial com torre de fumacê e construções laterais.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um edifício industrial. Do lado esquerdo, há uma torre de fumacê alta e retangular. Ao centro, o edifício principal tem uma fachada com janelas arredondadas e uma cobertura inclinada. À direita, há uma construção mais baixa, também com janelas arredondadas. No primeiro plano, vê-se uma rua com calçada e um pequeno muro de contenção. As linhas elétricas cortam o céu acima do edifício.

O prédio da Fábrica Confiança abandonado, em 1969. Foto de Adalberto Diniz - Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional

Mas a Fábrica Confiança restou como um referencial simbólico na memória de muitos moradores. O conjunto fabril composto pelo prédio da fábrica, o palacete Barão de Drummond e 9 vilas operárias erguidas pela Companhia de Saneamento do Rio de Janeiro foi tombado em 1993 com as características originais. Atualmente, em seu lugar funciona um supermercado e lojas comerciais e sua imponente chaminé ainda pode ser observada de longe.

O cotidiano operário de Vila Isabel virou objeto das músicas de Noel Rosa, que compôs a canção de amor “Três apitos” no início da década de 1930, gravada, tardiamente, em 1954 por Aracy de Almeida com arranjos de Radamés Gnatalli.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Fábrica de Tecidos Corcovado