CompanhiadeTecidosCarioca(JardimBotânico)1884

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Rio Memórias

O Jardim Botânico e o Horto foram importantes áreas fabris. Graças às condições ambientais favoráveis, a região oferecia água em abundância para a movimentação das máquinas das fábricas de tecidos que ali se instalaram. A Companhia de Tecidos Carioca foi uma delas.

Fábrica industrial antiga em preto e branco.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco de uma fábrica industrial. A imagem mostra uma extensão de edifícios industriais com telhados inclinados e janelas regulares. À esquerda, há uma árvore grande e uma calçada que se estende até os edifícios. À direita, há uma cerca alta que separa a fábrica de uma estrada paralela. No fundo, há uma montanha coberta por vegetação. Na parte inferior da imagem, está escrito "ENTRADA DA FABRICA CARIOLA" em letras claras.

Fábrica Carioca. Fonte: Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho (LEHMT/UFRJ)

Fundada em 1884 na estrada Dona Catarina (atual rua Pacheco Leão), atrás da rua Jardim Botânico, a fábrica foi grande responsável pelo povoamento do atual bairro - à época, parte da Freguesia Nossa Senhora da Gávea.

A ocupação do bairro se deu a partir da construção de duas vilas operárias, destinadas aos funcionários da Companhia de Tecidos Carioca, na então Chácara do Algodão: uma, construída pela própria fábrica; e a Vila Arthur Sauer, erguida pela Companhia de Saneamento - proprietária da chácara.

Edifício industrial com janelas horizontais, pátio e colina verde.Descrição da imagem: Esta é uma imagem em preto e branco, provavelmente uma gravura ou fotografia antiga. A cena mostra um edifício industrial com várias janelas dispostas horizontalmente. À esquerda, há uma construção mais baixa, enquanto à direita, há uma estrutura maior e mais elevada. O terreno em frente ao edifício parece ser um pátio ou área de serviço, com algumas pessoas caminhando ou trabalhando. No fundo, há uma colina coberta por vegetação.

Vila Arthur Sauer - Revista Renascença n. 15 edição de maio de 1905 - Hemeroteca Digital

Os trabalhadores tinham uma rotina bem delimitada: a jornada de trabalho começava às 7h e ia até às 16h40 - com horário de almoço das 11h às 12h. Depois do expediente, os operários frequentavam espaços de lazer dentro das próprias vilas, como o Clube Musical, organizado pelos moradores, que também eram responsáveis por todas as demais atividades de lazer: futebol, basquete, festas, jogos, teatro, música e dança. Essas atividades eram incentivadas pelos patrões.

Estádio lotado durante partida de futebol, Rio de Janeiro, 17-5-91.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia antiga em preto e branco. À esquerda, vemos um estádio com pessoas distribuídas em várias áreas. No centro, há um campo de futebol com jogadores em movimento. À direita, há uma grande multidão de espectadores reunida nas arquibancadas e em torno do campo. O fundo apresenta uma vegetação densa e algumas construções à distância. Na parte inferior das duas imagens, há texto legível que menciona "Carioca Futsal Club Rio - 17-5-91".

Jogo de futebol na Fábrica Carioca, 1912. Fonte: Blog Relíquias do Futebol

A saúde dos operários era responsabilidade do Dr. Alberto Ribeiro, que trabalhava em regime de exclusividade para a fábrica. As consultas eram realizadas durante o horário de almoço. Além disso, a fábrica também disponibilizava um armazém dentro da vila. Era ali que os operários tinham acesso aos alimentos dos quais necessitavam, e os gastos já vinham descontados nas folhas de pagamento. Todos esses aspectos facilitavam o controle da vida e dos corpos dos operários.

Em 1920 a Companhia de Tecidos Carioca, junto às vilas operárias, foi vendida à Companhia América Fabril. Com o encerramento das atividades da fábrica em 1962, os antigos operários organizaram uma frente de resistência contra o despejo dos moradores e a demolição das vilas. Com isso, iniciou-se um entrave judicial entre os moradores e a Companhia América Fabril. Após anos de luta, foi realizado o tombamento da vila pelo prefeito Saturnino Braga, considerando a importância histórica das vilas.

Com o tombamento decretado, a vila continuou a abrigar seus antigos moradores. Contudo, novas implicações vieram à tona com relação a permanência desses ex-operários: a região passou por um grande processo de gentrificação, com o aumento dos preços e, gradualmente, a substituição dos antigos moradores por famílias abastadas. Atualmente, o Jardim Botânico - que começou como um bairro operário, é um dos mais caros do Rio de Janeiro.

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