Candomblé

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Rio Memórias

Os diversos símbolos religiosos que atravessaram o atlântico desde o século XVI, com o tráfico de africanos escravizados, se desdobraram em manifestações tipicamente brasileiras, como o Candomblé, uma religião que, de acordo com Nei Lopes - sambista e estudioso das culturas afro-brasileiras -, sintetiza os variados cultos a Orixás, Inquices, Voduns e demais entidades e tradições dos diferentes povos que chegaram ao Brasil no período colonial.

O Orixá Omolu - Candomblé Ketu. Fundo Correio da Manhã - Arquivo Nacional

Pessoa vestindo traje tradicional, segurando instrumento musical.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma pessoa vestida com um traje tradicional feito de fibras naturais. A figura está de costas, com o braço direito levantado, segurando um objeto que parece ser um instrumento musical. O traje cobre o corpo inteiro, com detalhes texturizados e frisados. O fundo é escuro, destacando o traje e a mão segurando o instrumento.

Não é possível especificar um único território onde o Candomblé tenha surgido, porque muitos rituais atualmente associados a ele têm sua origem em povos variados e que ocuparam diferentes regiões do Brasil. Entretanto, no século XIX, cidades como Salvador, Recife, São Luís e Porto Alegre estiveram mais atreladas a essas práticas. No Rio de Janeiro, a religião passou a ser difundida com o estabelecimento de uma comunidade afro-baiana, que chegou à então corte imperial a partir de meados do século XIX e fundou os primeiros terreiros de Candomblé na região que ficou conhecida como Pequena África.

As famosas tias baianas foram fundamentais para a difusão do Candomblé e de outras práticas de matriz africana na cidade. A tia Ciata, por exemplo, reconhecidamente uma das precursoras do samba carioca, foi Iaquequerê (ou Mãe Pequena) no terreiro de João Alabá, Babalorixá (ou Pai de Santo) de uma das primeiras casas de Candomblé da cidade.

Imagem atribuída à tia Ciata, matriarca do samba e sacerdotisa de Candomblé. Wikimedia Commons

Mulher sentada, vestida com renda e capa listrada, colares finos.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga de uma mulher. A imagem é em preto e branco. A mulher está sentada, com cabelos curtos e presos para trás. Ela usa um vestido com detalhes de renda nas mangas e decote. Sobre o vestido, tem uma capa de tecido listrado. Através do pescoço dela, pendem duas colares finos.

As diferentes denominações, chamadas de nações - Ketu, Jeje, Nagô etc. - fazem do Candomblé um conjunto amplo de símbolos e significados que têm como um dos principais pilares a reverência à ancestralidade.

Cada casa de Candomblé possui seu próprio calendário litúrgico e os rituais variam de acordo com a nação. Mas a música, acompanhada do toque dos tambores e das vozes entoadas em coro pelos iniciados e demais participantes do terreiro, a dança e os rituais de incorporação, são aspectos fundamentais na maioria das cerimônias, sejam públicas ou fechadas.

"Religião Espírita - Guanabara" - Fundo Correio da Manhã - Arquivo Nacional

Três pessoas em trajes tradicionais em ambiente interno.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de três pessoas vestidas com trajes tradicionais. A figura à esquerda segura um objeto longo e pontiagudo, vestindo um turbante branco. Ao centro, uma mulher usa um vestido branco e um lenço na cabeça. À direita, outra pessoa está vestida com roupas ricamente adornadas, incluindo um capacete decorado com penas. Todos estão em um ambiente interno, com paredes e portas ao fundo.

Apesar de sua importância para a formação da identidade brasileira, o Candomblé - junto a outras tradições de origem africana – foi alvo de forte repressão, mesmo após a abolição (1888). A constante associação de seus adeptos a práticas malignas estimulou o racismo religioso e, ainda que a instituição da Umbanda, em 1908, tenha auxiliado na diminuição do preconceito, ela não foi suficiente para retirar essas religiões da marginalização. O Candomblé resiste ao tempo, graças às comunidades de terreiro e a despeito de toda a violência praticada contra o povo do Axé1.

1 "Povo do Axé" é como os adeptos das religiões de matriz africana também são conhecidos.

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