Aterceiracolina:MorrodeSãoBento

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Rio Memórias

Gravura em preto e branco do Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco representando o Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro. A imagem mostra um edifício monumental com duas torres laterais, cada uma com um pináculo e cruzes no topo. A torre central tem um sino visível. O edifício principal possui três níveis, com janelas retangulares e arcos na parte inferior. À direita, há uma ala mais baixa com varandas. Na frente do edifício, há uma entrada coberta por um telhado inclinado. Pessoas estão distribuídas pela área externa, caminhando ou se aglomerando. No centro da imagem, há um brasão com elementos decorativos. No canto inferior, está escrito "Mosteiro de S. Bento no Rio de Janeiro".

Igreja de São Bento, Karl Robert von Planitz e Ludwig e Briggs, 1845. (Divisão de Iconografia/Fundação Biblioteca Nacional)

Do lado oposto ao Morro do Castelo, na margem norte da Baía de Guanabara, se ergue a terceira colina que formou o quadrilátero inicial da cidade do Rio de Janeiro: o Morro de São Bento.

Ligado ao Castelo pela rua Direita – aberta no fim do século XVI para ligar os dois montes – o Morro de São Bento começou a ser ocupado por volta de 1590, a partir da instalação dos monges beneditinos no alto da colina.

Mapa antigo da Cidade do Rio de Janeiro, 1640, mostrando morros e lagoas.Descrição da imagem: A imagem é um mapa antigo da Cidade do Rio de Janeiro, datado de cerca de 1640. A disposição espacial começa pela esquerda, onde se localiza o Morro de São Bento, marcado com o número 2. Ao longo da costa, há várias lagoas e morros numerados, incluindo o Morro do Castelo, marcado com o número 1. À direita, estão os morros de Santo Antônio e Conceição, marcados com os números 3 e 4 respectivamente. O mapa também indica vários caminhos e ladeiras, como o Caminho de Castelo, marcado com o número 10. O fundo do mapa apresenta a Baía de Guanabara, com a ilha de Carioca, marcada com o número 16.

Rio de Janeiro por volta de 1640. O pontilhado pintado em rosa (13) representa a rua Direita, atual 1º de Março. RF Pereira - acervo particular

Inicialmente, os beneditinos se instalaram em uma pequena capela dedicada à Nossa Senhora do Ó, no então Caminho de Manuel de Brito – como eram chamadas as ruas da Misericórdia e Direita. Mas as intensas atividades da via mais movimentada do período não agradaram aos beneditinos. Eles se mudaram de seu endereço inicial após receberem, de Manoel de Brito e seu filho Diogo de Brito Lacerda, a doação das terras da colina até então chamada Morro da Conceição, graças a uma pequena ermida dedicada à Nossa Senhora da Conceição localizada no topo.

Cidade costeira com montanhas, navio, fortaleza e edifícios.Descrição da imagem: Esta é uma gravura mostrando uma cidade costeira com montanhas ao fundo. Do lado esquerdo, há várias construções próximas à água, incluindo um grande navio com três mastros. À direita, há uma fortaleza com torres e bandeiras. No centro, há uma área aberta com edifícios menores. A direita, mais alto, está um complexo de edifícios com torres e uma bandeira hasteada. O céu é claro e sem nuvens.

Ilustração do Mosteiro de São Bento e da Ilha das Cobras, à frente. Foto de André Teles. Acervo FormArte.

Por volta do ano de 1602, Nossa Senhora do Monserrate se tornou a padroeira do morro, por sugestão do então governador Francisco de Souza. A ideia do governador foi homenagear o rei Filipe II, que governou Portugal e Espanha no período da União Ibérica (1580-1640). Em 1633, teve início a construção da igreja abacial do mosteiro, com pedras da região do Morro da Viúva (no Flamengo). A igreja, erguida com força de trabalho escravo, foi inaugurada em 1641, mas a obra completa só foi finalizada quase cem anos depois. Trata-se de uma das mais belas do Rio e um dos principais monumentos do barroco luso-brasileiro. No topo da colina foi construído, também, um Ginásio – atual colégio São Bento.

Interior de igreja barroco com decoração rica em madeira e azulejos xadrez.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um interior de igreja, com uma rica decoração barroca. Do lado esquerdo, vemos detalhes ornamentais em madeira esculpida, com colunas e estátuas. No centro, há um altar majestoso, coberto por um tapete vermelho, com uma escadaria dourada levando ao altar principal. À direita, mais estátuas e mais ornamentos em madeira são visíveis. O chão é revestido com azulejos em padrão xadrez preto e branco. Na parte frontal, há um púlpito de madeira com detalhes decorativos. A iluminação é suave, destacando os elementos dourados e vermelhos.

Interior da igreja de São Bento, Halley Pacheco de Oliveira, 2012.

O mosteiro também funcionou como fortificação no momento em que corsários franceses invadiram a cidade, no início do século XVIII. Em setembro de 1711, René Duguay-Trouin conseguiu o feito de invadir – chegando pela Ilha das Cobras, em frente ao morro de São Bento – e ocupar o Rio de Janeiro por quase dois meses. Na ocasião, o mosteiro resistiu, apesar da pouca munição, e sobreviveu aos ataques.

Gravura urbana com rio, árvores, edifícios e montanhas.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco, retratando uma paisagem urbana com um rio no primeiro plano. Do lado esquerdo, vemos árvores e construções baixas. No centro, há um grande edifício com várias janelas e telhado inclinado. À direita, há mais edifícios menores e uma estrutura metálica. No fundo, montanhas cobertas por nuvens formam o horizonte. Na parte superior, o céu está parcialmente nublado.

Panorama do morro São Bento visto da ilha das Cobras, Victor Frond, s/d. (Divisão de Iconografia/Fundação Biblioteca Nacional)

Referências:

EQUIPE Brasiliana Iconográfica. Do alto do morro: o mosteiro de São Bento. Disponível em: https://www.brasilianaiconografica.art.br/artigos

HOYUELA JAYO, José Antonio; MAIA FRAGOSO, Mauro. Territórios e paisagens beneditinas no Rio De Janeiro. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br

Site do Mosteiro de São Bento.

SOUZA, Jorge Victor de Araújo. Poder local entre ora et labora: a casa beneditina nas tramas do Rio de Janeiro seiscentista. In Dossiê Ordens e congregações religiosas no mundo Ibero-Atlântico.

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Memória 1 de 4: Entre quatro colinas