Rio Suburbano

CURADORIA

Rafael Mattoso

Falar dos subúrbios pressupõe abordar toda sua complexidade de saberes, sabores e experiências de seus moradores. A galeria Rio Suburbano é um convite para compreendermos a história das áreas que surgiram a partir da construção de fábricas e da linha ferroviária, suas formas próprias de organização espacial, cultural e de mobilidade. Seus saberes e tradições renovados, suas identidades e formas de ser e estar nessa cartografia urbana e afetiva. Trata-se de uma celebração às práticas próprias de seus habitantes. Memórias que dão conta das miudezas da vida suburbana, como correr atrás e deliciar-se com doces de Cosme e Damião, soltar pipa nas ruas e lajes, se apropriar da calçada ou das vias públicas para bater um traço de concreto ou para comemorar alguma data importante.

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Comensalidade é o termo de origem latina usado para definir as práticas de convívio à mesa. Envolve principalmente o modo como se come, mas não se trata somente de provar ou saborear algo. Na prática significa muito mais, está diretamente relacionado a conviver, se relacionar, aprender e trocar experiências a partir do compartilhamento coletivo dos alimentos. Nos subúrbios a convivência estabelecida a partir do hábito de comer e beber tornam-se um elemento fundamental para entender a nossa própria sociabilidade carioca.

Sentado à mesa, acomodado no chão ou em pé com o prato e copo na mão, vale quase tudo quando se fala dos afetos e sabores suburbanos. Seja cultivando, preparando ou degustando sempre se está cozendo, transformando e compondo histórias. Temperos, cheiros e sabores ancestrais entrelaçam os sujeitos às heranças que se fundiram e ajudaram a criar um sentimento de suburbanidade.

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