Rio na Moda
CURADORIA
Carolina Casarin
REVISÃO
Davi Aroeira Kacowicz
REVISÃO
Vinicius Pontes Martins
REVISÃO
Lívia de Sá Baião
A galeria investiga o universo da indumentária no Rio de Janeiro — dos povos originários que habitavam o território onde hoje é a cidade, e da tensão entre o nu e o vestido, até as modistas, costureiras e estilistas que marcaram a moda carioca ao longo do tempo.
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O Rio nunca coube inteiramente nas regras que tentaram lhe impor. E a moda carioca nunca foi apenas a fantasia afrancesada da elegância oficial. Ela sempre esteve nas ruas, no comércio, nas mulheres que trabalhavam, nas modistas, costureiras, lavadeiras, vendedoras, nas pessoas libertas e escravizadas que cuidavam, lavavam, costuravam e faziam circular a moda carioca.
Nesta sala o assunto é o “Comércio de moda no Rio de Janeiro”, história que começa muito antes das lojas elegantes na rua do Ouvidor. No século XIX, mulheres negras ganhadeiras, que vendiam alimentos, tecidos, adereços e prestavam serviços, muitas vezes de costureiras, escreveram a história da moda carioca com tabuleiros, panos, saias, torços, joias e amuletos.
Até meados do século XX, o centro do Rio foi o local onde se concentraram as lojas que vendiam novidades importadas, especialmente aquelas vindas de Paris, ou adaptações criadas por mãos locais. Nesse contexto, a Casa Canadá consolidou um ideal de consumo de luxo no Rio de Janeiro. Mais do que uma loja, tornou-se uma instituição do bom gosto.
A partir dos anos 1960, a zona Sul deslocou com força parte importante da cena. Surgiram as butiques em Copacabana, Ipanema, Leblon. Praia, juventude e prêt-à-porter. Atualmente, ateliês mantêm viva a moda sob medida. Ao mesmo tempo, feiras, brechós e vendas online movimentam o comércio onde a moda autoral, das marcas independentes, pode acontecer. A Feira Preta, embora tenha nascido em São Paulo, é fundamental, porque traz para os holofotes criações de moda feitas por pessoas negras.