Rio na Moda
CURADORIA
Carolina Casarin
REVISÃO
Davi Aroeira Kacowicz
REVISÃO
Vinicius Pontes Martins
REVISÃO
Lívia de Sá Baião
A galeria investiga o universo da indumentária no Rio de Janeiro — dos povos originários que habitavam o território onde hoje é a cidade, e da tensão entre o nu e o vestido, até as modistas, costureiras e estilistas que marcaram a moda carioca ao longo do tempo.
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Ao contrário do que uma imaginação forjada nos meandros do racismo pode nos fazer crer, a população negra e mestiça do Rio de Janeiro colonial não era formada apenas por pessoas vestidas em trapos ou usando librés de serviçais, mas sim de uma diversidade de aparências e uma série de distinções sociais que se manifestavam na indumentária. Esta sala apresenta a moda que era feita por mulheres livres, libertas e escravizadas, que enfeitavam as ruas com seus ofícios, seus panos, seus turbantes, suas saias, seus gestos, fazendo da roupa um campo de negociação.
Representações visuais de cenas cotidianas e de determinados costumes da cidade mostram, na população de origem africana, uma grande diversidade de modos de vestir, marcados por diferentes condições sociais, profissões e maneiras de construir a própria aparência. As personagens femininas que aparecem nas aquarelas e nos desenhos são todas elegantes, mesmo aquelas mais submetidas à violência da sociedade escravista.
Essas imagens ajudam a desmontar uma visão eurocêntrica da história da moda brasileira. Não podemos considerar moda apenas aquilo que vinha da França ou das elites brancas. Populações negras também criaram linguagens visuais sofisticadas, que combinavam tecidos, cores, joias, amarrações e adornos. Assim, essas mulheres participaram ativamente da formação da moda carioca.