Os alunos elaboraram um poema inspirado no Museu Bispo do Rosário – Arte Contemporânea, localizado no interior da histórica Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. O espaço, que ao longo de sua trajetória recebeu diferentes nomes, passou a homenagear oficialmente, desde o ano 2000, aquele que foi seu importante artista: Arthur Bispo do Rosário. A história de Arthur Bispo do Rosário é, por si só, uma poderosa reflexão sobre os mecanismos de exclusão social ainda presentes em nossa sociedade. Homem negro, pobre e que passou grande parte de sua vida recluso em um manicômio. Na condição de "louco" e "asilado", ele enfrentou as marcas do preconceito e da marginalização e, mesmo sob essas circunstâncias, produziu uma obra artística ímpar. Confira abaixo o poema:
Museu de gritos
Bispo do Rosário, mestre do não dito Costurou com os dedos o próprio grito Num mundo que cala quem pensa demais Ele falava com linhas, tecidos e sinais Era arte no fio, era dor no papel Era loucura virando pincel Fez do hospício um museu sem igual Onde o silêncio era grito espiritual Chamaram de louco, fecharam a porta Mas sua obra ficou – viva e torta Não coube no mundo, pequeno demais Então criou um universo pra ir muito mais Não era doente, era só diferente Intenso, profundo, sensível, presente Viu o que muitos fingem não enxergar fez do abandono um altar pra sonhar Lá onde a rua tem voz e raiz Ele bordou um Brasil que ninguém quis Um Brasil de ferida, fé e cicatriz Que grita nas telas o que a alma diz Hoje o chamam de gênio, de inspiração Mas na época deram só solidão A história ignora até doer E depois que morre, começa a entender No Museu vive a memória que pulsa Em cada canto a verdade repulsa Não é só arte, é redenção É grito, é sangue, é libertação Porque há beleza no que foi esquecido E há verdade no que foi reprimido E quem para pra sentir de verdade Sabe: ali habita mais que saudade Com agulha de dor e um traço bendito É a história de um homem costurando o infinito