Amarildo

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Rio Memórias

"Onde está Amarildo?". O sumiço repentino do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, em julho de 2013, tornou-se emblema de uma realidade que quase sempre parece naturalizada à paisagem carioca: a violência e o abuso policial.

Amarildo saiu de sua casa, na Rocinha, para comprar limão e alho para temperar os peixes que havia pescado para a família. Nunca mais voltou. Não fosse o empenho de sua mulher, Elizabete, provavelmente, o caso não teria assumido as proporções que tomou, fazendo ecoar a pergunta indignada pelo país inteiro.

Manifestação noturna em Rio de Janeiro, Rocinha, com cartazes pedindo por Amarildo e contra Cabral.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma manifestação noturna em Rio de Janeiro, no bairro da Rocinha. Na parte central da imagem, um homem segura um cartaz branco com letras azuis que perguntam "Cadê o Amarildo?" e "Fora Cabral!!". Atrás dele, outros manifestantes também seguram cartazes. À direita, pessoas observam da varanda de um edifício. No fundo, há construções urbanas e iluminação artificial.

Foto: Thiago Lontra - Manifestação por Amarildo - 2013 - Jornal

Extra

Testemunhas haviam visto Amarildo ser levado por policiais militares à sede local da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) para prestar esclarecimentos. Os motivos para essa condução nunca foram explicados. A Justiça concluiu que, após chegar à base da UPP, Amarildo foi torturado até a morte. O corpo dele não foi encontrado até hoje.

Mulher em frente ao prédio UPP Rio de Janeiro, com camiseta de Amarildo de Souza.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma mulher em frente a um prédio com a sigla UPP RIO DE JANEIRO. Ela está usando uma camiseta branca com uma foto de Amarildo de Souza e o texto "BRIGEMOS JUSTIÇA". Ao fundo, há policiais em uniforme preto e capacetes, alguns em motocicletas. A mulher está no centro da imagem, enquanto os policiais estão atrás dela, ocupando o espaço do fundo.

Foto: Fernando Frazão - Agência Brasil

Em março de 2019, foram absolvidos quatro dos 12 policiais militares condenados em primeira instância pela tortura, morte e ocultação de cadáver do ajudante de pedreiro. Sua família — a mulher, Bete, e os seis filhos — sofrem até hoje o luto, o estigma e as dificuldades financeiras agravadas com o assassinato de Amarildo por agentes do Estado.

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