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Rio Memórias

Milhares de artefatos de civilizações ameríndias da era pré-colombiana. O sarcófago onde repousava a sacerdotisa egípcia Sha-Amun-em-su, que viveu 750 anos antes de Cristo. Fósseis de dinossauros e de outros animais pré-históricos. Registros únicos de cantos ancestrais e de línguas indígenas que já não existem mais. Coleções de insetos que eram referência no mundo todo. Diários de campo com o trabalho de inúmeras pesquisas antropológicas. Tudo isso, e muito mais, desapareceu sob a ação das chamas que lamberam grande parte do Museu Nacional, a instituição científica mais antiga do Brasil, na noite de 2 de setembro de 2018.

Incêndio noturno em edifício monumental, chamas intensas e fumaça densa.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia noturna de um incêndio em um edifício monumental. Do lado esquerdo, vemos uma árvore e parte da fachada do museu, iluminada por luzes interiores. No centro, o fogo está avolumado, com chamas intensas e fumaça densa. À direita, um monumento com uma figura em destaque é visível. Na frente, pessoas estão distribuídas, observando a cena. O céu está escuro, contrastando com a luminosidade do incêndio.

Foto: Uanderson Fernandes - Museu Nacional pega fogo - 02/09/2018 - Agência O Globo

O interior do prédio histórico de valor inestimável, que foi morada da família real portuguesa, no século XIX, e onde foi assinada a declaração de Independência do Brasil, em 1822, transformou-se em ruínas após as seis horas de incêndio. O prejuízo científico e cultural direto da tragédia só poderá ser mensurado em anos, talvez décadas. Mas o volume de conhecimento que vai deixar de ser produzido, com as perdas no acervo e nas pesquisas, jamais poderá ser dimensionado.

Monumento em frente a palácio com estátua e escadaria.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de um monumento localizado em frente a um palácio. Do lado esquerdo, há uma escadaria com balaustrada amarela e vasos vermelhos nas extremidades. À direita, há uma grande estátua em uma base quadrada, com a inscrição "PIL" na parte frontal. Ao fundo, está o palácio, com fachada clássica e muitas janelas. O céu é azul com algumas nuvens brancas. Há árvores verdes ao redor do monumento e do palácio. No chão, há uma área pavimentada com marcas amarelas.

Foto: Pauty Araújo - Museu Nacional - 2015 (Quinta da boa vista)

Localizado na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte do Rio, o Museu Nacional vinha sofrendo há anos com a falta de verbas que garantissem a segurança dos itens sob sua proteção. Apesar de ser um dos maiores museus de história natural do mundo, guardando um acervo de cerca de 20 milhões de itens, atrelados a inúmeros campos do saber, seu orçamento vinha encolhendo a cada ano. O edifício, que havia acabado de completar dois séculos quando devastado pelo incêndio, não era apenas sede de atividades museológicas, mas também um importante polo de pesquisa, com cursos de pós-graduação e alguns dos mais importantes estudos brasileiros em áreas como paleontologia e antropologia.

Manifestação noturna em frente a edifício neoclássico.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma manifestação noturna em frente a um edifício clássico iluminado. Na parte inferior da imagem, vemos uma multidão de pessoas reunidas, alguns sentados nas grades e outros de pé. À direita, uma mulher segura um cartaz com texto em português. O edifício ao fundo tem arquitetura neoclássica, com colunas e balaustrada. A esquerda, há bandeiras coloridas penduradas.

Foto: Diego Carriço - Manifestação em defesa do Museu Nacional - 03/09/2018

Essas pesquisas e cursos não se encerraram com o incêndio, pois a equipe de profissionais e estudantes vinculados ao Museu prosseguem sua busca por preservar o conhecimento e a história que o descaso político tentou incendiar. Ainda assim, a queima do Museu Nacional representa uma catástrofe não só para o Brasil, mas para toda a história da Humanidade.

Em julho de 2025, após sete anos de recuperação, o Museu Nacional reabriu suas portas, para uma exposição temporária e uma visitação ainda restrita apenas a alguns espaços do prédio. Cariocas e turistas abraçaram o museu, e os 12 mil ingressos de sua reabertura acabaram-se em menos de 48 horas. A previsão para seu funcionamento pleno é para o ano de 2029.

Parque com palácio histórico e áreas verdes.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia aérea de um parque com um palácio histórico no centro. Do lado esquerdo, há áreas verdes com árvores esparsas e algumas pessoas caminhando. No centro, o palácio tem telhado vermelho e paredes bege. À direita, o parque continua com mais vegetação. No fundo, há edifícios modernos e uma ponte sobre o mar. A cidade ao fundo está iluminada pelo sol, com céu azul e algumas nuvens.

Foto: Américo Vermelho - Vista aérea do Museu Nacional

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