BarZiCartola

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Rio Memórias

Foram apenas 20 meses. O suficiente, porém, para que o sobrado da rua da Carioca, número 53, entrasse para a história da música brasileira. O restaurante de Dona Zica e de Cartola, o casal de mangueirenses mais célebre de todos os tempos, abriu as portas em setembro de 1963. Da cozinha, saíam os pratos de comida caseira que ela preparava com esmero — era sonho antigo poder dedicar-se à cozinha. No salão, desdobraram-se noites e noites memoráveis, com a reunião de nomes como Nelson Cavaquinho, Ismael Silva, Zé Kéti, Clementina de Jesus, Ciro Monteiro, Elizeth Cardoso, Aracy de Almeida, Hermínio Bello de Carvalho, João do Vale.

Foto: Samuel Elyachar - Cartola, Odete Lara, Dorival Caymmi e Roberto Menescal - 1964 - Tyba

Quatro pessoas sorridentes em um ambiente social, dois homens e uma mulher com guitarra.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de quatro pessoas reunidas em um ambiente social. Do lado esquerdo, vemos um homem sorrindo, vestindo uma camisa listrada. Ao centro, uma mulher com cabelos longos está sorrindo, segurando uma guitarra acústica. Atrás dela, um homem de cabelos grisalhos também sorri, olhando para a guitarra. À direita, outro homem está parcialmente visível, também sorrindo. No fundo, há mais pessoas, mas elas estão menos focadas.

Foi lá, por exemplo, que Paulinho da Viola — que à época ainda atendia por Paulo César Batista de Faria, seu nome original — fez sua primeira apresentação. Foi lá também, que se intensificou a costura entre samba e bossa nova, com intérpretes de um e de outro elaborando uma saudável e alegre interlocução.

Mas a importância do ZiCartola vai muito além da seara musical. Em tempos de Chumbo, a pensão que virou reduto cultural foi também espaço de resistência política. Em suas mesas, forjaram-se as bases de projetos como o do show Opinião. Ou o Rosa de Ouro, dirigido por Hermínio Bello de Carvalho, espetáculo conhecido por ter restituído destaque ao samba. Obras artísticas que conseguiram elaborar, de diferentes formas, algum tipo de postura crítica ao autoritarismo em voga no país.

Foto: Samuel Elyachar - Nara Leão tocando violão no ZiCartola

Uma mulher toca violão enquanto um homem assiste em um salão social.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um grupo de pessoas reunidas em um ambiente interno, possivelmente um salão ou sala de reuniões. Na parte central da imagem, uma mulher com cabelo curto e trançado está tocando um violão. Ela está sentada e parece estar concentrada em sua música. Ao seu lado, um homem está assistindo-a, também sentado. No fundo, várias outras pessoas estão presentes, algumas parecendo estar conversando ou observando. A disposição espacial sugere uma cena social ou cultural, possivelmente relacionada à música.

Em maio de 1965, o ZiCartola fechou as portas, por problemas administrativos — há quem diga que o fechamento foi resultado da pressão dos militares. Hoje, apenas uma placa tímida na rua da Carioca alerta para a importância da antiga pensão.

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