CasaTuruna

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Rio Memórias

Gastei uma fortuna na Casa Turuna. Se eu fosse rico, compraria a Casa Turuna e passaria o resto dos meus dias lá dentro, trancado

Paulo Afonso de Lima
Loja antiga com sinal de Carnaval de 1920.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia antiga em preto e branco. Mostra uma loja chamada "Casa Turuna", com um grande sinal anunciando "Carnaval de 1920 na Casa Turuna". A loja exibe roupas e acessórios para carnaval, incluindo fantasias, pijamas e camisas de diversos modelos. Pessoas estão caminhando pela calçada à frente da loja, alguns olhando para dentro.

Fachada da loja, em 1920. Reprodução

O trecho é uma fala do personagem Wanderley, da comédia “Matou o marido e dormiu com o leitão”, escrita nos anos 1970 por Paulo Afonso de Lima. A citação é apenas uma dentre muitas que mencionam a mais tradicional loja de fantasias que o Rio já teve notícia: a Casa Turuna. Em outro exemplo de como a Casa Turuna permeava o imaginário popular, na minissérie “Anos Rebeldes” (ficção da TV Globo do início dos anos 1990, que conta a história de um grupo de opositores à ditadura militar), a personagem Heloísa (interpretada por Cláudia Abreu) presenteia o embaixador da Suíça, sequestrado por seu grupo, com uma coroa. Comprada onde? Isso mesmo, na Casa Turuna.

Por mais de um século, a loja foi o endereço certo para encontrar roupas e adereços para a festa momesca — e para outras celebrações em que se fantasiar faz parte do dress code.

Fachada de loja antiga em preto e branco, Casa Turuna.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga de uma loja chamada "Casa Turuna". A imagem está em preto e branco e mostra a fachada de um prédio com três janelas decoradas com grades de ferro forjado. Na parte superior, há um balcão com uma placa que lê: "DEIXAMOL-OS FALAR!!... QUEM VENDE MAIS BARATO É A CASA TURUNA". Abaixo da placa, há vitrines exibindo roupas e outros itens de venda. Pessoas estão distribuídas à frente da loja, algumas segurando mercadorias. No chão, há caixas empilhadas. À direita, há uma porta fechada com grades ornamentais. Na esquina inferior da imagem, está escrito "Oswaldo" em azul.

Casa Turuna, em 1921. Acervo Museu da Pessoa

A Casa Turuna foi fundada em 1915 por dois imigrantes portugueses, na Praça Onze, epicentro do antigo carnaval carioca, sempre vendendo tecidos, aviamentos e fantasias para os cordões carnavalescos da região. Há quem diga que o nome da loja era uma homenagem a um bloco que passava na porta, o dos Turunas — "valentões", na gíria da época —, mas o mais provável é que seja uma referência ao apelido de um dos sócios, que também respondia por Turuna.

Na década de 1940, mudou-se para o Saara, na esquina da Rua Senhor dos Passos com a Avenida Passos, onde gerações de foliões garantiram suas fantasias temáticas – baianas, ciganas, piratas, caveiras, colombinas.

Loja "Turuna" em mercado com tecidos e vestuário.Descrição da imagem: A imagem mostra uma loja chamada "Turuna", conforme escrito em letras vermelhas na tampa amarela do toldo. A loja está localizada em um mercado, com uma variedade de tecidos e artigos de vestuário expostos. Do lado esquerdo, vemos uma grande quantidade de tecidos coloridos, incluindo azuis, vermelhos e verdes, dispostos em pilhas e caixas. À frente, há uma mesa cheia de tecidos e outros itens de venda. No centro, há uma pessoa de pé atrás de uma mesa, vestindo um terno azul claro. À direita, há mais tecidos e vestuários pendurados nas paredes e em cabides. Na parte direita da imagem, vemos uma pessoa de pé, vestindo uma camiseta amarela. O ambiente é iluminado por luzes suspensas no teto.

A loja, nos anos 2010. Imagem extraída de Sindilojas.rio

Em 2020, a Casa Turuna fechou suas portas. Os problemas financeiros já vinham acompanhando a loja, mas a crise econômica provocada pela pandemia de COVID-19 foi a sentença final para esse comércio familiar — foram quatro gerações à frente dos negócios.

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