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Rio Memórias

Miúdos de porco, vaca e aves. O tripeiro foi uma figura típica do espaço carioca do século XIX e de boa parte do XX. Circulava pela cidade com sua carrocinha, deixando um rastro de sangue que, com o tempo, tornou-se inaceitável — bem como as demais condições pouco higiênicas desse tipo de comércio. Em 1960, novas legislações fizeram com que as carroças se sofisticassem e fossem seladas. Mas não teve jeito: os tripeiros foram aos poucos deixando de existir.

Dois homens em preto e branco, um segurando uma cesta com uma ave e o outro um animal vivo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de dois homens em pé, lado a lado, contra um fundo simples. O homem à esquerda está usando calças pretas e uma camisa xadrez, segurando uma grande cesta de vime sobre a cabeça com ambas as mãos. Uma ave está sentada na cesta. O homem à direita, vestindo calças brancas e um chapéu, está segurando um animal vivo nas mãos. Ambos estão olhando diretamente para a câmera.

Foto: Marc Ferrez - Vendedores de aves - 1895

O leiteiro e o padeiro dispensam apresentações. Mas o amolador de facas, por sua vez, tinha um traço singular no rol de ofícios oferecidos em domicílio: a música. Tornado instrumento improvisado, o atrito da faca na pedra de amolar, de modo ritmado, reproduzia hinos de clubes, modinhas e marchinhas, anunciando a passagem do amolador pela rua.

O lambe-lambe foi outra figura a integrar a paisagem carioca. Suas câmeras em formato de caixote, revestidas de couro ou madeira e com as laterais tornadas mostruário de fotos, permaneciam a postos em praças e bulevares, para registrar poses de família ou cenas de turistas em cartões-postais. O motivo de seu desaparecimento dos espaços públicos é evidente: foram solapados pela tecnologia. Até hoje, porém, alguns ofícios antigos perduram pelas ruas do Rio, ainda que de forma mais tímida, como é o caso dos empalhadores de cadeira e das kombis que circulam pelo subúrbio oferecendo produtos como ovos, pães e pamonha.

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