Rio de Marés
CURADORIA
Mario Brum
Como era o território da Maré antes de existir, com a atual configuração de um conjunto com 16 favelas? Como era antes, o litoral norte da cidade, com as praias e as ilhas da Baía de Guanabara? Quais foram as primeiras destinações do território que atualmente serve à cidade de várias formas – do fornecimento de mão de obra a área destinada a receber resíduos – e recebe tão pouco em troca? A pergunta inicial pode ser feita em qualquer bairro ou cidade do mundo. Quando se trata da América do Sul, que viveu a colonização europeia, o genocídio e a expulsão dos povos originários, ela adquire ainda mais relevância. A galeria Rio de Marés aborda o Complexo da Maré desde os primeiros séculos de colonização do Rio de Janeiro: a formação do território às margens da baía e sua natureza exuberante, aldeias de pescadores, fazendas, cais e, a partir do século XX, cada vez mais constantes, os danos ambientais na região.
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A migração é uma marca histórica do território da Maré. A região, cortada por linhas férreas e rodovias e transformada em área fabril e de grandes obras públicas, impulsionou o fluxo de migrantes para o território através de muitas levas, em diferentes períodos, por diferentes razões. Todas elas contribuíram para tornar a Maré um mosaico de sotaques, ritmos, sabores e cores. Um complexo de origens, identidades e pessoas.