Rio de Marés
CURADORIA
Mario Brum
Como era o território da Maré antes de existir, com a atual configuração de um conjunto com 16 favelas? Como era antes, o litoral norte da cidade, com as praias e as ilhas da Baía de Guanabara? Quais foram as primeiras destinações do território que atualmente serve à cidade de várias formas – do fornecimento de mão de obra a área destinada a receber resíduos – e recebe tão pouco em troca? A pergunta inicial pode ser feita em qualquer bairro ou cidade do mundo. Quando se trata da América do Sul, que viveu a colonização europeia, o genocídio e a expulsão dos povos originários, ela adquire ainda mais relevância. A galeria Rio de Marés aborda o Complexo da Maré desde os primeiros séculos de colonização do Rio de Janeiro: a formação do território às margens da baía e sua natureza exuberante, aldeias de pescadores, fazendas, cais e, a partir do século XX, cada vez mais constantes, os danos ambientais na região.
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A identidade do território da Maré - composto por 16 favelas -foi gradualmente construída a partir da segunda metade do século XX, através das lutas por moradia, pelo território, pela água, saneamento, escolas e postos de saúde. Em anos recentes, pela vida, pelo direito de ser jovem, negro, favelado, favelada, favelade. As seis favelas originais - Timbau, Baixa do Sapateiro, Parque Maré, Parque União, Rubem Vaz e Nova Holanda, lutaram contra a ameaça de remoção promovida pelo Governo Federal na virada de década de 1970 para 1980. Foi na luta que esses moradores se reconheceram como parte de um território em comum: o Complexo da Maré. As favelas mais recentes: Vila do João, Nova Maré, Conjunto Esperança, Conjunto Pinheiro, Bento Ribeiro Dantas, Vila Pinheiro e Salsa e Merengue, se uniram às lutas cotidianas contra a remoção e pela urbanização. Identidades múltiplas, forjadas a partir de interesses comuns e muita luta, os mareenses sempre reivindicaram sua condição de cidadãos plenos de direitos.