Procissõescívicasabolicionistas

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Rio Memórias

A ascensão do Partido Conservador ao poder, em agosto de 1885, levou as manifestações pelo fim da escravidão às ruas do Rio de Janeiro. O governo, sob a liderança do escravagista barão de Cotegipe, pressionava os donos de teatro a não cederem espaço para os eventos abolicionistas. Caso insistissem, policiais à paisana estariam de prontidão para impedir as conferências emancipadoras.

Do teatro às ruas, os abolicionistas mudaram de estratégia e começaram a promover procissões cívicas. O objetivo era produzir choque moral na população, por meio da exposição escancarada da violência inerente ao sistema escravista.

Grupo de homens em trajes formais, cerimônia formal.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um grupo de homens em trajes formais, possivelmente de meados do século XIX. Os homens estão dispostos em duas fileiras: na primeira fila, três estão sentados e na segunda fila, quatro estão de pé. Todos vestem ternos e gravatas, com alguns usando chapéus. A imagem parece retratar uma cerimônia ou reunião formal.

Diretoria da Confederação Abolicionista em 16 de maio de 1888. Da esquerda para direita: José do Patrocínio, Luis de Andrade, Inácio Von Doellinger, Praxedes Medella e Luiz Pereira. Sentados: André Rebouças, João Clapp e Jose de Seixas Magalhães.

Álbum de família de Diana Maul de Carvalho

Em fevereiro de 1886, a Confederação Abolicionista exibiu Eduarda, de 15 anos, e Joana, de 17, pelas ruas da Corte. As marcas da violência estavam expostas nos rostos deformados, no sangue seco e nas feridas em carne viva. Eduarda acabou cega; Joana não resistiu. Seu corpo foi carregado por abolicionistas, e o funeral rendeu mais um evento público denunciando tortura e assassinato.

Duas mulheres em roupas claras seguidas por dois homens em ternos e chapéus.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco. Na parte inferior, há um texto em português. No centro, vemos duas figuras femininas vestidas com roupas claras, sendo seguidas por dois homens em ternos e chapéus. À esquerda, há outra figura masculina com chapéu alto e terno escuro. A figura à direita está apontando para algo fora da imagem. O fundo é simples, sem detalhes adicionais.

Repercussão da procissão cívica abolicionista.

Revista Illustrad

a, Rio de Janeiro de 1886. N. 00427. Hemeroteca da Biblioteca Nacional

O caso se transformou em drama nacional, mas a repressão não retrocedeu. Em agosto de 1887, o governo proibiu aglomerações nas ruas e edifícios públicos. Abolicionistas foram demitidos de seus empregos e partiram para o enfrentamento. Em 6 de agosto, organizaram uma conferência no Teatro Polytheama. Dois dias depois, um encontro em frente ao quartel do Campo da Aclamação. Ambos foram seguidos por enfrentamentos com a polícia. José do Patrocínio falou por muitos de seus companheiros, ao afirmar que “os abolicionistas sinceros estão todos preparados para morrer”.

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