Conferênciasabolicionistas

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Marcela Telles Elian de Lima

A 1ª Conferência Emancipadora ocorreu em 1880, no Teatro São Luís, e terminou com a libertação de um escravizado. A escolha do espaço foi estratégica porque o teatro era ponto privilegiado na nova rotina da cidade após as reformas introduzidas pelo Gabinete Rio Branco. Suas óperas, vaudevilles, apresentações de orquestras e música de câmara atraíam aristocratas e populares.

A ideia surgiu quando os ativistas negros André Rebouças, José do Patrocínio e Vicente Ferreira de Sousa se reuniram com o objetivo de pensar como convencer a opinião pública da importância de dar fim ao sistema escravista. Além do São Luís, as conferências poderiam ocorrer ainda nos teatros Lírico, Recreio, Dramático ou Polytheama.

Folheto com a conferência proferida por José do Patrocínio em 17 de maio de 1885, no Theatro Polytheama. Acervo Fundação Biblioteca Nacional.

Folheto antigo sobre a Conferência Pública da Confederação Abolicionista de 17 de maio de 1885.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de um folheto antigo. Está em preto e branco com algumas manchas de cor marrom. No topo, há o título "CONFEDERAÇÃO ABOLICIONISTA" em letras maiúsculas. Abaixo disso, está escrito "CONFERENCIA PUBLICA" também em letras maiúsculas. Em seguida, há o nome "José do Patrocínio" e abaixo, "FEITA NO THEATRO POLYTHEAMA". Continua com "Em sessão da Confederação Abolicionista DE 17 DE MAIO DE 1885". Há uma assinatura à mão na parte inferior, seguida por "FOLHETO N.º 8". No final, está "RIO DE JANEIRO Typ. CENTRAL de Evaristo Rodrigues da Costa TRAVESSA DO OUVIDOR 1882".

Na porta, moças enfeitadas com fitas verde-amarela arrecadavam as doações para compra das alforrias. No palco, oradores selecionados entre “homens de grande prestígio”, como os definiu Patrocínio, denunciavam os limites da Lei do Ventre Livre, os maus tratos e exigiam abolição imediata da escravidão, sem indenização.

A partir de setembro, foi inserido um número musical antes da entrega das cartas emancipatórias. E o evento passou a ser conhecido como Conferência-Concerto. O gerente do Banco do Brasil e comerciante João Clapp se juntou ao trio, e dele vinham as boas-vindas à audiência. Diferentes camadas sociais ocupavam as galerias para acompanhar essa mistura de apresentação artística e comício político.

Retrato de mulher com flores, folhas e frutos; teatro ao fundo; aclamação da multidão.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco. No centro, há um retrato de uma mulher com cabelos volumosos e flores na cabeça. À sua volta, há folhas e frutos pendentes. Ao fundo, há uma cena de teatro com espectadores e palco. Na parte inferior, uma multidão ergue os braços em sinal de aclamação.

Entrega de cartas de liberdade por José do Patrocínio a escravizadas durante encenação de

Aida,

de Giuseppe Verdi, no Teatro Lírico em 10 de agosto de 1886. No alto, a cantora lírica Nadina Bulicioff, que interpretava a personagem principal. Fundação Biblioteca Nacional.

Em 1883, enquanto 115 escravizados eram emancipados, o público lançou sobre o palco flores e mais flores. A partir de então, a camélia se tornou símbolo do abolicionismo. O teatro se abriu como um espaço não institucional para o debate público sobre a escravidão e propaganda antiescravista. As Conferências Abolicionistas foram corriqueiras até a derrubada dos liberais, em 1885, e a ascensão do escravista barão de Cotegipe à presidência do Conselho de Ministros.

“Debaixo das asas protetoras desse sublime anjo venha abrigar-me”. Desenho e verso de João Clapp – 24/01/1888. Acervo Fundação Biblioteca Nacional.

Figura angelical com asas abertas segurando um crânio marcado com "abolicao".Descrição da imagem: Esta é uma ilustração em preto e branco, possivelmente uma gravura ou um desenho, apresentando uma figura angelical com asas abertas, segurando um crânio. O crânio está marcado com a palavra "abolicao". A figura está posicionada no centro da imagem, com asas grandes e detalhadas, enquanto o crânio está abaixo dela. À direita, há uma série de notas manuscritas, escritas em português. No canto inferior esquerdo, está a palavra "Liberfasl" escrita em letras grossas.

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