AslaranjasdaSabina

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Danilo Araujo Marques

As laranjas da Sabina - Pepa Delgado, 1904

Havia pouco mais de um ano que a escravidão fora abolida no Brasil. Sabina, uma mulher negra e pobre, trabalhava nas ruas do Rio de Janeiro como quitandeira. Seu ponto ficava no largo da Misericórdia, em frente à Escola de Medicina. Expostas em tabuleiros sustentados por barris, as frutas aliviavam o calor diário de estudantes encasacados e metidos a republicanos radicais.

Em julho de 1889, as iguarias tiveram outra função: bananas, tomates e laranjas sarapintaram a diligência oficial do ministro da Fazenda, visconde de Ouro Preto, quando cruzou a rua da escola. Na manhã seguinte, o subdelegado regional Jacome Lazary ordenou o fechamento da quitanda.

Poema satirizando o ocorrido. O Paiz, 23 de julho de 1889, n. 1750. Hemeroteca da Biblioteca Nacional.

Jornal antigo em preto e branco sobre frutas e autoridades.Descrição da imagem: A imagem é um jornal antigo em preto e branco. No topo, está escrito "APARAS" em letras grandes. Abaixo, há um número "390". O texto principal está alinhado à esquerda e descreve situações relacionadas a frutas e autoridades. Há referências a "laranjas", "mangas", "bananas", "limões" e "barrete plurgyio". O texto menciona "tendências republicanas" e "assembléias sediciosas". No final, está assinado "TESOURA".

O ato gerou indignação e estimulou a imaginação dos estudantes. No dia 25 de julho, com laranjas espetadas em bengalas, eles saíram em cortejo pelas ruas do Centro. À frente, um estandarte ostentava coroa feita de bananas e a frase “Ao Exterminador das Laranjas”. A passeata saiu do largo da Misericórdia e percorreu a rua Primeiro de Março até a rua do Ouvidor.

Gravura em preto e branco de manifestação com pessoas em ternos e chapéus, cavalos, músicos tocando e construção médica ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco. A imagem mostra uma grande manifestação com muitas pessoas vestindo ternos e chapéus. À esquerda, há um grupo de homens montados em cavalos. No centro, os participantes levantam os braços, segurando lanças. À direita, dois músicos tocam instrumentos. No fundo, há uma construção que parece ser uma faculdade de medicina. Na parte inferior da imagem, está escrito: "A manifestação das laranjas. A grande troca, a grande e única troca da semana, foi bem vivida, a que nos formou a mocidade da Faculdade de Medicina, com a manifestação a laranjeira do Sr. neto exibindo de S. José, Brasileiro em toda a influência."

A “manifestação das laranjas” na Revista Illustrada

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Revista Illustrad

a, 27 de julho de 1889, n. 558. Hemeroteca da Biblioteca Nacional.

Depois de aplaudir as redações de jornais republicanos, os manifestantes cruzaram a rua Uruguaiana, encontraram os alunos da Politécnica no largo de São Francisco e percorreram o caminho de volta. Não houve confronto nem quebra-quebra. E quando alguém aproveitou o alvoroço para gritar impropérios contra Sua Majestade, os estudantes foram argutos o bastante para responder que aquela não era uma manifestação política, mas sim... agrícola.

A adesão popular e a repercussão na imprensa constrangeram o subdelegado Lazary, que pediu demissão. Sabina pôde retomar o ponto. E a imagem do Império, que já andava desgastada, ganhou mais um arranhão.

Nota do jornal O Paiz sobre os protestos. O Paiz, 26 de julho de 1889, n. 1753. Hemeroteca da Biblioteca Nacional.

Jornal antigo em preto e branco sobre manifestação estudantil.Descrição da imagem: A imagem é um jornal antigo em preto e branco. Está dividido em duas colunas verticais. Na primeira coluna, há o título "AS LARANJAS" em destaque. Abaixo, há um texto narrativo sobre uma manifestação estudantil. Na segunda coluna, há mais texto detalhando os eventos ocorridos durante a manifestação.

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