MissadesétimodiadoEdsonLuís

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Pauliane de Carvalho Braga

O assassinato do estudante Edson Luís pela Polícia Militar (PM), no dia 28 de março de 1968, desencadeou uma série de manifestações contra a Ditadura por todo o país. A tensão era crescente e circulavam rumores de que seria decretado estado de sítio. No Rio de Janeiro, os ânimos estavam particularmente exaltados no dia 4 de abril, data em que seriam celebradas duas missas de sétimo dia, em memória do estudante assassinado.

Multidão em fileiras, auditório, concentração.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de uma grande multidão sentada em cadeiras, possivelmente em um auditório ou salão de eventos. A disposição espacial é de forma linear, com as pessoas sentadas em fileiras, de frente para uma área que não está visível na imagem. Na parte frontal, estão sentados indivíduos mais próximos à câmera, enquanto na parte traseira, a multidão se estende até o fundo da imagem. Todos parecem estar concentrados em algo fora da visão da câmera.

As duas missas de 7º dia, celebradas em memória de Edson Luís, mobilizaram a população carioca inconformada com o assassinado do jovem. Agência O Globo

As cerimônias aconteceriam na Igreja da Candelária, pela manhã e à noite, encomendadas respectivamente pela Assembleia Legislativa da Guanabara e pelo movimento estudantil. Antes do amanhecer, contudo, Exército, PM e Fuzileiros Navais ocuparam as ruas do Centro com um forte aparato bélico. Tanques, fuzis e metralhadoras foram usados para evitar qualquer tipo de manifestação.

Mesmo assim, centenas de pessoas chegaram para a primeira celebração, conduzida pelo cônego Antônio de Paula Dutra e pelo frei Elias Coqueto. Ao final da missa, as pessoas que saíam da igreja foram cercadas pela tropa montada, que avançou contra homens, mulheres e crianças, deixando muitos feridos.

Ao final da missa da manhã, a polícia montada investiu contra as pessoas que saíam da Igreja da Candelária. Arquivo Última Hora.

Multidão em movimento em local público, com edifício clássico à esquerda e policiais a cavalo à direita.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco mostrando uma multidão de pessoas reunidas em um local público. A imagem está dividida em duas partes principais: à esquerda, há um edifício com colunas e arquitetura clássica; à direita, várias pessoas estão caminhando ou correndo em direção ao centro da imagem. No centro, há um grupo de indivíduos que parecem estar em movimento rápido, possivelmente fugindo ou se afastando de algo. À direita, dois policiais a cavalo estão montados em seus cavalos, segurando lanças. O chão é pavimentado com padrões geométricos, e há uma lâmpada pública no centro da imagem.

Para impedir a realização da missa das 18h, as forças de repressão transformaram o entorno da Candelária em uma praça de guerra. Bombas de efeito moral foram jogadas indiscriminadamente e viaturas tomaram as ruas, enquanto um avião sobrevoava o local. Mas a população não se intimidou, e mais de 600 pessoas compareceram à cerimônia. D. Castro Pinto, vigário-geral do Rio de Janeiro, oficiou a missa com outros 15 padres, que tentaram amenizar o clima de tensão.

Os barulhos dos cascos dos cavalos ressoavam pelo altar, e bombas de gás lacrimogênio tornavam o ar irrespirável. Ao final da celebração, a multidão temeu sair. Para evitar uma nova tragédia, os sacerdotes protagonizaram a cena que se tornaria célebre: tomando a frente, de mãos dadas, criaram um cordão de isolamento entre os policiais e os civis. O ato, contudo, não conseguiu evitar o confronto. Como todo o bairro estava cercado, a multidão foi perseguida e muitos foram espancados e presos.

Calabouço - Sérgio Ricardo, 1973

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Memória 1 de 4: O golpe que instaurou a ditadura civil-militar