ManifestaçõesEstudantis-PUC-Rio1977

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Pauliane de Carvalho Braga

O ano de 1977 marcou o retorno do movimento estudantil à cena pública. Os estudantes se reorganizavam desde o final da década anterior, recolocando suas entidades em funcionamento, mesmo com a vigência do decreto 477 que, desde 1969, tentava banir das universidades toda discussão política.

Ao mesmo tempo, ampliava-se a oposição popular à Ditadura Militar, com a entrada de novos atores políticos em cena, como operários, negros e mulheres. Nesse ambiente, um episódio rotineiro em tempos de repressão serviu de estopim para colocar os jovens de volta nas ruas. No dia 1º de maio, em São Paulo, oito militantes da Liga Operária foram presos.

O caso reacendeu a discussão sobre as prisões ilegais e deflagrou uma onda de manifestações por todo o país. No Rio de Janeiro, o ato foi organizado por estudantes da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio). Juntaram-se também alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Fefierj).

A manifestação na PUC-Rio foi um dos marcos do retorno do movimento estudantil para a cena pública. Foto: Alberto Jacob, Agência O Globo.

Manifestação estudantil com faixas e multidão em corredor e escada.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de uma manifestação estudantil. Na parte superior, há faixas com inscrições em português, pendentes das colunas de um edifício. Abaixo delas, uma multidão de pessoas está reunida, segurando faixas e participando da manifestação. As pessoas estão distribuídas em várias fileiras, ocupando o espaço do corredor e da escada do edifício. No fundo, as colunas do edifício são visíveis, além de algumas árvores.

Marcada para 10 de maio, a manifestação foi proibida pela Secretaria de Segurança do estado. O bairro da Gávea, nas imediações da PUC-Rio, foi tomado pelas forças policiais. Ainda assim, mais de sete mil pessoas se reuniram nos pilotis da universidade carioca: estudantes, professores e funcionários, representantes estudantis de outros estados, políticos, líderes sindicais e familiares de presos, desaparecidos e exilados.

Várias medidas foram tomadas pelo Governo Federal e Estadual, a fim de evitar a manifestação estudantil marcada para o dia 10 de maio. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 de maio de 1977.

Jornal em preto e branco sobre proibição de manifestações estudantis.Descrição da imagem: A imagem é um jornal em preto e branco. No topo, há o título "Governo proíbe manifestações de estudantes". Abaixo, há um texto explicando que o governo impôs medidas preventivas contra manifestações estudantis. O texto menciona a Secretaria de Segurança do Rio e o DOPS. Há referências a instituições como PUC, UFRJ, UERJ, FEFIERJ e UFF. O texto menciona que a reitoria da PUC suspendeu as aulas de hoje.

Pela primeira vez em anos, discutiram-se abertamente questões ligadas não somente ao movimento estudantil, mas a demandas políticas específicas, divulgadas depois em carta aberta. A luta contra a Ditadura voltava, enfim, a ser pauta dos estudantes, com gritos de ordem pelas liberdades democráticas e pela liberdade de expressão.

Manifestação estudantil com faixas em espanhol penduradas.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de uma manifestação estudantil. Na parte superior, há faixas com inscrições em espanhol penduradas nas paredes. A faixa mais clara lê "HORAS ESTUDANTES" e "ORGANIZAÇÃO DE OPRIMIDOS". Abaixo, outros textos são parcialmente visíveis. No centro da imagem, um grupo de pessoas está reunido em uma área coberta, possivelmente um corredor ou um pátio interno de um prédio universitário. As pessoas estão sentadas e de pé, alguns parecendo estar discutindo ou ouvindo alguém que está em pé à direita. O ambiente parece movimentado e ocupado.

Cerca de sete mil pessoas acompanharam a assembleia na PUC-Rio.

Revista Manchete

, Rio de Janeiro, 28 de maio de 1977.

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