RevoltadosSargentos

Tempo de leitura 2 min

Júlia Kern Castro

Marco histórico de expressão política da baixa oficialidade do Exército na jovem República, a Revolta dos Sargentos tinha como maior ambição instituir o regime parlamentar com um militar como chefe de Estado no Brasil. Seu resultado, no entanto, foi apenas o pagamento de soldos atrasados.

A mobilização ocorreu no Rio de Janeiro, entre 1915 e 1916, em um contexto de grandes dificuldades econômicas no país, agravadas pela Primeira Guerra Mundial. O grupo de revoltosos era formado por uma maioria de sargentos do Exército, com participação de políticos, trabalhadores e militantes de esquerda, como Maurício de Lacerda e Barbosa Lima. Eles buscavam melhores condições de trabalho, plano de carreira e aumento dos soldos.

Jornal em preto e branco detalha revolta dos sargentos e suas consequências.Descrição da imagem: A imagem é um jornal em preto e branco. Está dividido em duas colunas principais. Na primeira coluna, há o título "A revolta dos sargentos" em destaque. Abaixo, há vários parágrafos com informações sobre a revolta dos sargentos, incluindo citações de pessoas importantes e comentários sobre a atitude do "Jornal do Commercio". Na segunda coluna, há tópicos como "As violências das autoridades", "Os receios do general Bittencourt", "A Estrada de Ferro Central também de promptidão", "Continuam a promptidão da marinha e polícia", "O governo castigará rigorosamente os envolvidos no movimento", "A promoção de um cabo", "Inqueritos parciais" e "A punição dos culpados".

A Notícia

. Bahia, 21 de dezembro de 1915, n° 00369. Hemeroteca da Biblioteca Nacional.

Mas o levante armado nunca ocorreu. O governo do presidente Wenceslau Brás descobriu o plano dos sargentos, resultando em punições disciplinares e prisões. Após o cumprimento da sentença, parte dos militares foi expulsa do Exército e parte foi transferida para outros estados, como Bahia, Pernambuco e Paraná. Já os deputados envolvidos nada sofreram, uma vez que o Congresso não aceitou a abertura de processo.

Entretanto, grupos de soldados, cabos e oficiais se identificaram com as pautas e aderiram ao movimento, culminando em nova manifestação em fevereiro de 1916. Essa foi organizada pelos sargentos que haviam retornado das transferências, ainda com o objetivo de criar uma República Parlamentar. Assim como na primeira tentativa, o ato resultou em dezenas de militares presos. No mês seguinte, houve a terceira e última insurreição, que reivindicava também a instrução primária da população e o serviço militar obrigatório. O levante não obteve sucesso.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Os golpes militares de uma República titubeante