CampanhaCivilista

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Danilo Araujo Marques

Em 1909, ano de eleição presidencial, a temperatura política na jovem República estava nas alturas. De um lado, os militaristas (ou ‘hermistas’), partidários do marechal Hermes da Fonseca, candidato da situação. De outro, os civilistas, em favor da “restauração da ordem civil”. Seu candidato era o senador baiano Rui Barbosa – jurista, diplomata e coautor da primeira constituição republicana. Apoiado pelo Partido Republicano Paulista (PRP), ele foi escolhido em uma convenção que lotou o auditório do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Charge, a revista O Malho – que apoiava a candidatura de Hermes da Fonseca. – 1910 Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Ilustração em preto e branco mostrando três homens discutindo com um hermita em um cenário urbano.Descrição da imagem: A imagem é uma ilustração em preto e branco, apresentando duas sequências de eventos. Na primeira sequência, três homens vestidos com ternos e chapéus estão discutindo com um homem de túnica branca e calças pretas, que parece ser um hermita. Eles estão em um cenário urbano com árvores e um monumento ao fundo. Na segunda sequência, os mesmos três homens estão saindo, olhando para o hermita que está parado, agora com as mãos cruzadas. O texto abaixo destaca a frase "Quem tem razão e certeza d'uma cousa não precisa de barulho" e menciona que os três civilistas estão falando sobre mudar de opinião e criticando a ditadura.

Intelectual respeitado e liberal histórico, Rui Barbosa protagonizou a primeira campanha presidencial da história do Brasil. Com uma retórica antioligárquica que agradava a setores urbanos, o candidato civilista percorreu cidades, encontrou-se com lideranças locais e fez promessas a eleitores nas ruas.

Multidão formal em local interno, possivelmente estação ferroviária.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma grande multidão reunida em um local interno, possivelmente uma estação ferroviária ou um salão público. A imagem mostra uma grande aglomeração de pessoas ocupando todo o espaço, com destaque para a parte central e direita da foto. As pessoas estão de pé, muitas delas usando chapéus e roupas formais, sugerindo um evento importante ou cerimônia. No fundo, vemos estruturas metálicas e luminárias que iluminam o ambiente.

Eleitores civilistas recebem Rui Barbosa na Estação Central, em retorno de sua passagem por São Paulo

. Revista

Careta –

1910

Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Era a primeira vez que o país assistia a uma disputa eleitoral entre projetos políticos concorrentes. Das exaltadas polêmicas em cafés da rua do Ouvidor às grandes passeatas e comícios – os meetings –, a imprensa dava o tom do debate público. Para jornais ‘hermistas’, Rui Barbosa era uma espécie de Lutero baiano, o agente provocador de todo aquele cisma na outrora pacata política nacional.

Multidão em trajes formais do início do século XX em cais, com navios e montanhas ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma multidão reunida em um cais. A imagem mostra pessoas vestindo trajes formais do início do século XX, com maiôs e chapéus. À esquerda, há um navio com a chaminé visível. Ao fundo, há mais barcos e uma paisagem montanhosa. Na parte superior da imagem, há lanternas decorativas e faixas com texto. À direita, há um sinal com o nome "Ruy Barbosa".

Eleitores civilistas recebem Rui Barbosa no cais Pharoux (atual praça Quinze de Novembro), em retorno de sua passagem pela Bahia.

Revista Careta

– 1910 - Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Apesar de todos os esforços da Campanha Civilista, a votação do dia 1º de março de 1910 provou a força da máquina federal e elegeu Hermes da Fonseca, terceiro militar entre os seis primeiros presidentes do Brasil. Mas a diferença de votos foi a mais apertada desde o início da República. No Rio de Janeiro, Rui Barbosa venceu com 67% dos votos. O abalo da oposição provocou uma notável fissura no alicerce da conciliação oligárquica. Depois disso, o arranjo político da Primeira República nunca mais seria o mesmo.

Gravura em preto e branco de dois homens em um carrinho de água.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco. Mostra dois personagens em um cenário de água. À esquerda, um homem em uniforme militar segura um chicote e está montado em um carrinho de duas rodas. À direita, outro homem, vestindo terno e chapéu, está sentado no carrinho, aparentemente tentando se equilibrar. O carrinho está parcialmente submerso na água. No fundo, há uma paisagem com montanhas e céu claro. Na parte inferior da imagem, há texto em português.

Notória apoiadora de Hermes da Fonseca.

A revista

O Malho

fez piada com a derrota de Rui Barbosa - 1910 - Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Outras memórias

Memória 1 de 4: Os golpes militares de uma República titubeante