Belacap(Guanabara)versusNovacap(Brasília)

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Rio Memórias

A cidade viu surgir, em alguns de seus bairros mais tradicionais, um movimento de reação às medidas progressistas e vanguardistas dos anos 1950. A sociedade carioca se dividia entre aqueles que defendiam Getúlio Vargas e os que o combatiam. A polêmica ganhou os meios de comunicação: nas páginas do jornal Última Hora, a defesa de Vargas e, do outro lado, na Tribuna da Imprensa, o grande líder da direita conservadora, o político da UDN, Carlos Lacerda. Apesar da reação capitaneada por Carlos Lacerda, em 1955, Juscelino Kubitschek, um candidato liberal mineiro, acabou vencendo as eleições.

O clima na América Latina nessa época era tenso, e Juscelino Kubitschek quase não assumiu a cadeira de presidente. A reação à vitória de JK mostrou como já havia uma rede de defesa do conservadorismo aliada ao sentimento anticomunista.

Mesmo com esse clima tenso, a cidade não deixava de saborear as novidades automobilísticas e os novos componentes do conforto do lar, as cozinhas americanas. As eletrolas eram ultrapassadas pelas possantes vitrolas estereofônicas que faziam a alegria dos jovens e velhos. Os filmes da Atlântida transformavam a cidade num imenso pandeiro. Tudo isso animava a capital e fazia retomar o gosto pela praia e pelas ruas. A vida mundana da cidade se expandia da Lapa para Copacabana e se apresentava sob aspectos diferentes, da boa vida dos playboys aos novos experimentos da esquerda e o avanço da UNE.

Praia movimentada com edifícios urbanos ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma praia com edifícios ao fundo. A praia está cheia de pessoas relaxando e nadando. À direita, há uma rua com carros antigos circulando. Prédios altos e largos se estendem ao longo da praia, formando um horizonte urbano. Na parte direita da imagem, há construções menores, possivelmente lojas ou estabelecimentos comerciais.

Copacabana nos anos 1950. Arquivo Nacional - Fundo Correio da Manhã

Com Juscelino, veio o Plano de Metas - "50 anos de progresso em 5 de realizações" (https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Economia/PlanodeMetas). Esse modelo nacional-desenvolvimentista estava ancorado no capital internacional como mecanismo básico para a construção de uma acumulação capaz de desenvolver a economia brasileira e gerar uma nova etapa na história do Brasil. Era necessário que se fizessem mudanças estruturais no país, reduzindo a desigualdade através de uma distribuição de renda e recursos menos concentrados no eixo sudeste.

Diagrama preto e branco mostrando a cronologia de investimentos do Plano de Juscelino Kubistchek.Descrição da imagem: A imagem é um diagrama em preto e branco que ilustra a previsão de "tempos" no Plano de Investimentos do governo Juscelino Kubistchek. A disposição espacial vai da esquerda para a direita, com elementos organizados em duas partes principais. Na parte superior, há um título que menciona o período de governo e os diferentes estágios relacionados à elaboração e execução do plano. Abaixo, há uma linha temporal marcando anos de 1955 a 1961. Dentro dessa linha, estão representados períodos específicos, como "campanha e elaboração preliminar do plano", "organização de equipes e preparação de projetos de leis", "elaboração legislativa e decisões administrativas sobre o 'plano'", "execução do 'plano'", "período de tolerância para conclusão de alguns setores do 'plano'", e "periodo de detalhamento de projetos". Além disso, há uma curva prevista de investimentos no "plano" e períodos de luta contra a inflação e de recuperação econômica.

Previsão de "tempos" no plano de investimentos de Juscelino. Fonte:

CPDoc

/FGV

A estratégia dos polos de desenvolvimento, em moda na época, combinada com um esforço nacional, levaram à decisão de mudar a capital do Brasil para o interior, seguindo uma orientação que, por motivos diversos, já havia aparecido no debate da primeira constituição republicana. A mudança da capital tinha lugar certo: o interior do estado de Goiás, bem no centro do Brasil, de onde sairiam raios de desenvolvimento que alcançariam todo o país. Os investimentos nesse projeto foram gigantescos. Brasília seria a demonstração empírica do engenho brasileiro que criaria a cidade mais moderna do mundo, capaz de concorrer com qualquer outra capital europeia ou americana. Com projeto urbano de Lúcio Costa e arquitetura de Oscar Niemeyer, o avião do crescimento, marcado pelo desenho do plano de Brasília, seria a maneira de mostrar ao mundo a nossa capacidade de mudança.

O Rio de Janeiro nos anos 1950 e 1960 ia se definindo como centro financeiro, dividindo com São Paulo a renovação econômica. Garantia-se a relação entre capital e trabalho, já que São Paulo concentrava as indústrias. Isso significou certa desmobilização do parque industrial carioca, que permaneceu antiquado diante do progresso da capital paulista, fazendo com que a antiga capital se confirmasse como vocacionada para os serviços. Foi nessa conjuntura, que a cidade do Rio, antigo Distrito Federal, perdeu as suas funções de capital. Diminuíram as atividades administrativas ligadas ao poder público e parte do mercado consumidor mais importante do país. A barganha política que resultou da decisão de mudança da capital gerou a criação de um novo estado na federação, formado pelo antigo Distrito Federal. O novo estado recebeu o nome de Guanabara.

Brasília, a nova capital, expressava o futuro do Brasil e recebeu a denominação de Novacap, não só porque era nova, mas porque era a denominação da companhia construtora da cidade, em contraste com a Belacap, denominação da antiga capital do Brasil, Rio de Janeiro, agora capital do estado da Guanabara.

Reunião formal em preto e branco, assinatura de documentos.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma reunião formal. Na parte frontal, há um homem sentado à mesa, vestindo terno e óculos, concentrado em assinar documentos. À sua frente está um microfone de mesa. Ao seu lado, outro homem, também com óculos, está sentado e parece estar assistindo à assinatura. Mais atrás, dois homens estão de pé, um segurando um caderno e o outro com mãos cruzadas. Atrás deles, uma série de pessoas está de pé, observando a cena. O fundo apresenta painéis decorativos e uma grande moldura com um retrato.

Aprovada a Lei nº 2.874 que fixava os limites do Distrito Federal e autorizava a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). Fonte: Arquivo Público do Distrito Federal - Site

Museu virtual Brasília

O novo estado da Guanabara, criado em substituição ao antigo Distrito Federal, recuperava parte das tradições da cidade e de seu imaginário popular presente na cabeça dos cariocas.

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Memória 1 de 4: Copacabana Palace