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Rio Memórias

No final da década de 1970 começou o processo lento e controlado, de abertura política. Atendendo à pressão da ampla mobilização popular, foi concedida a anistia aos exilados políticos e o pluripartidarismo retornou ao Brasil, o que abriu espaço para a entrada de uma nova corrente no campo político carioca, o brizolismo que abraçou as minorias não representadas no debate da democracia que se construía na década de 1980. Com uma estratégia de campanha focada na insatisfação com o regime civil-militar, em 1982, o gaúcho Leonel de Moura Brizola, fundador do Partido Democrático Trabalhista (PDT), conquistou uma vitória apertada para o governo do estado do Rio e acabou marcando, por quase duas décadas, os rumos políticos da cidade.

Homem falando com jornalistas em terno clássico.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um homem falando com jornalistas. Ele está vestindo um terno clássico com gravata e camisa de manga longa. Atrás dele, há outra pessoa usando um uniforme militar. À frente, dois jornalistas seguram microfones de rádio, um marcado "JB 940".

Leonel Brizola (c. 1984) - Acervo Agência Brasil - Wikimedia Commons

Ao longo da década de 1980, a força do brizolismo na cidade do Rio de Janeiro foi cada vez maior e dois brizolistas se sucederam na prefeitura: Saturnino Braga, em 1985, e Marcello Alencar, em 1988. Neste período, não foram elaborados planos diretores para a cidade do Rio de Janeiro, pois o foco da administração se transferiu das grandes intervenções urbanas para as questões sociais, com o enfrentamento direto da pobreza. Destacou-se, neste cenário, a nova relação com as favelas e a opção pela urbanização desses espaços. Sob a responsabilidade da Secretaria de Habitação e Trabalho, o governo do estado lançou o programa “Cada família, um lote”, que

legalizou, no fim do governo, cerca de 41 mil lotes e unidades habitacionais, entregando títulos de propriedade em conjuntos habitacionais, favelas e loteamentos clandestinos em todo o estado.

Ainda no âmbito das favelas, houve uma melhoria na infraestrutura com a implementação de programas como o Proface de água e esgoto e o “Uma luz na escuridão”, de implantação de rede elétrica nas comunidades do interior do estado.

Cabe lembrar a importância do projeto dos Centros Integrados de Educação Pública, os Cieps, escolas onde a criança permanecia por tempo integral, tinha direito a cinco refeições diárias, banho, atendimento médico e dentário e espaço para socialização e esporte. Com arquitetura de Oscar Niemeyer, os Cieps pretendiam ser os símbolos edificados de uma nova nação que se firmaria com a liderança de Brizola.

Prédio moderno com fachada branca, elementos decorativos e céu azul.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um prédio moderno localizado em uma rua. Do lado esquerdo, vemos uma faixa de pedestres com um sinal de trânsito vermelho. À frente do prédio, há uma cerca branca que separa a área do edifício. O prédio tem uma fachada branca com elementos decorativos em verde e amarelo. Na parte inferior, há uma faixa azul com texto em branco. À direita, há árvores altas com folhagem verde. O céu está claro e azul.

Ciep Tancredo Neves, fundado em 1986 no bairro da Glória. Imagem retirada do Facebook da escola.

A construção do primeiro Ciep da cidade foi associada a outro importante projeto: a Passarela do Samba, ou, como ficou conhecido, o Sambódromo. Ali, onde também foi erguida uma escola para 16 mil crianças, se encontravam a cultura escolar e a cultura popular do carnaval.

Área urbana com edifícios residenciais, complexo arquitetônico e via expressa.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia aérea de uma área urbana. À esquerda, vemos edifícios residenciais com telhados coloridos. No centro, há um grande complexo arquitetônico com estruturas curvas e retangulares. À direita, há uma via expressa com viaturas circulando. No fundo, outros edifícios e áreas verdes são visíveis.

Conclusão das obras do Sambódromo, em 1984. Site Archdaily

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