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Rio Memórias

Semba de lá, que eu sambo de cá Já clareou, o dia de paz Vai ressoar o canto livre Nos meus tambores, O sonho vive Trecho do samba-enredo da Unidos de Vila Isabel, 2012
Estande comercial com mulher caminhando, joalheria e bolsas coloridas.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de um estande comercial. Do lado esquerdo, vemos uma mulher caminhando, de costas para a câmera, com cabelos presos em um coque e vestindo uma blusa azul e shorts brancos. No centro, há uma mesa coberta por um pano preto, exibindo diversos itens de joalheria e acessórios. À direita, há uma coleção de bolsas coloridas penduradas em um suporte de madeira. Ao fundo, um banner vermelho com o texto "RAMA COLLECTION | REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO" está montado sobre uma parede de pedra. Atrás do estande, há uma fachada de tijolos vermelhos e uma janela com grades.

Imigrante congolesa. Feira cultural Rio Refugia celebra o dia mundial do refugiado no Sesc Tijuca, junho de 2023. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Nos anos 1990, se fortaleceu uma nova onda migratória atlântica com origem na África. Fugindo dos conflitos em Angola, muitos cruzaram o Atlântico numa nova diáspora rumo ao Brasil, e o Rio de Janeiro foi seu principal destino pelo menos durante duas décadas. Tratava-se de uma população predominantemente jovem e formada por homens, mas as redes familiares foram se constituindo e criando condições para trazer mulheres e crianças. A região portuária recebeu um primeiro fluxo desta migração, e ali se estabeleceram nas casas de habitação coletiva existentes. Com a chegada de mais gente, outras áreas foram ocupadas, sendo uma das mais importantes a Favela da Maré.

Indivíduo em pé em frente a estrutura de madeira com portas abertas.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um indivíduo em pé em frente a uma estrutura de madeira com portas abertas. A esquerda, há um barril de metal e pilhas de caixotes de madeira. No centro, o indivíduo está vestindo um hoodie marrom, shorts pretos e tênis marrons. À sua frente, dois postes de metal verde estão posicionados. Ao fundo, há uma porta metálica fechada e uma placa que lê "PENTECOSTAL". À direita, há uma placa azul com a inscrição "FORTLEV" e uma moto vermelha parada perto de uma cerca metálica. O telhado da estrutura é coberto por folhas verdes. Na parte superior da imagem, vê-se um prédio antigo com fiação elétrica exposta.

O rapper angolano Nizaj, morador da Maré. Foto: Mayara Donária – A Maré Vê

A comunidade angolana da Maré, por sua identidade e expressão demográfica, ganhou espaço local e certa notoriedade, o que não poucas vezes gerou situações de preconceito e estigmatização. Uma parte significativa destes imigrantes era formada por refugiados que, muitas vezes, tinham estudo que chegava ao nível universitário. Como muitos se encontravam sem documentos e em situação econômica precária, foram trabalhar na construção civil e outros serviços não qualificados.

Mulheres olham para homem com turbante em evento com estande da RIO REFUGIA.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de um evento com pessoas interagindo em frente a um estande. Do lado esquerdo, três mulheres estão de costas para a câmera, olhando para o homem que está à direita. Ele usa um turbante colorido e uma camiseta azul com o texto "RIO REFUGIA". O estande tem um sinal vermelho com o nome "MAMAN LANDOU" e "REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO". Ao fundo, há folhagens verdes.

Imigrante congolês na Feira cultural Rio Refugia, no Sesc Tijuca. Junho de 2023. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A esta onda migratória angolana no Rio, se seguiu a chegada de imigrantes congoleses. Estes, majoritariamente na condição de refugiados, seguiram pelas rotas atlânticas em direção a esta cidade, em busca de oportunidades e de sobrevivência. A maior parte foi para favelas situadas na periferia carioca ou em municípios da Baixada Fluminense. Neste grupo de imigrantes há muitas mulheres, algumas com experiências traumatizantes em suas histórias. Elas buscam ressignificar suas vidas, desenvolvendo atividades em que possam contar com seus conhecimentos e talentos, como o trabalho de trancista de cabelos.

Estes grupos formam novas pequenas áfricas cariocas, atlânticas e contemporâneas.

Entrevista de Mireille Muluila, refugiada congolesa, à ONU Brasil. 2016

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