Osmaracajás

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Rio Memórias

Os maracajás eram um dos muitos subgrupos de tupinambás que habitavam a Guanabara antes da chegada dos europeus, especialmente a atual Ilha do Governador. Os maracajás e seus domínios foram constantemente visitados pelas embarcações portuguesas durante todo o período pré-colonial, estabelecendo uma relação de proximidade estratégica e por isso contribuíram de forma decisiva para a fundação do Rio de Janeiro.

Gravura antiga de ilha com áreas densamente povoadas e extensão de água.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura antiga representando uma ilha com várias áreas marcadas. Do lado esquerdo, há uma grande área densamente povoada com árvores e construções. À direita, há uma extensão de água com algumas ilhotas e rochas. No centro, há uma grande área aberta com vegetação疏鬆, e à direita, mais uma área densamente povoada com árvores e construções. No canto inferior direito, há um selo vermelho com texto em francês. No canto superior direito, há um selo azul com texto em francês. No canto inferior esquerdo, há um compasso e um selo azul com texto em francês. No canto inferior direito, há um selo vermelho com texto em francês.

L’isle des margaias, atual Ilha do Governador

, povoada por aldeias maracajás – mapa da obra de André Thevet, 1575

Cunhambebe, o grande líder tamoio, gostava de dizer que era uma onça, e seus inimigos, em contrapartida, eram “marakaîas”, ou seja, gatos do mato. É provável que esse apelido pejorativo esteja associado à principal liderança desse grupo indígena, registrada nas fontes históricas como Maracajaguaçu, “o grande gato do mato”.

As tabas aparentadas de Maracajaguaçu dominaram a Ilha do Governador pelo menos até 1554, mas não se limitaram a esse território. Outras regiões – na Baixada Fluminense e no fundo da Baía da Guanabara – também eram habitadas por eles. No ano de 1554, passaram a ser perseguidos e combatidos por franceses e seus aliados tupinambás, até serem expulsos. Serão os maracajás os indígenas escravizados pelos franceses no curto período da França Antártica. Os sobreviventes exilaram-se no Espírito Santo, de onde partiram nos anos seguintes, ao lado de indígenas tupiniquins, para ajudar os portugueses nos embates da destruição do forte Coligny, em 1560, e na expedição de fundação do Rio de Janeiro, a partir de 1564.

Gravura marítima com navios em confronto e ilhas costeiras.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco. Mostra uma cena marítima com várias embarcações e terrenos costeiros. Do lado esquerdo, vemos uma ilha com uma fortificação e uma pequena casa. À frente, há um navio grande com várias mastreaves. Ao centro, dois navios estão envolvidos em uma luta, com fumaça saindo das proas. À direita, há mais uma ilha com vegetação densa. No fundo, vemos uma grande massa d'água com rotas de correntes e rochas.

A Ilha dos Maracajás aparece em destaque na Baía de Guanabara

– gravura da obra de André Thevet, 1560

Os “índios gato” também foram importantes para a manutenção e a proteção da capitania do Espírito Santo a partir de 1555, onde se espalharam pelo litoral. A ligação desse subgrupo tupinambá da Guanabara com os lusos tem a ver com a primeira feitoria portuguesa que existiu entre 1504 e 1516 na atual Ilha do Governador. Erguida por Américo Vespúcio na “grande ilha” além do Cabo Frio, a feitoria abasteceu as tabas da Ilha do Governador em troca de pau-brasil, com manufaturas e instrumentos de metal, ambos desejados pelos indígenas – uma relação de quase uma década.

A presença inicial dos portugueses nessa região foi responsável por criar laços de amizade e parentesco com os maracajás a partir da prática do “cunhadismo”, modo pelo qual os tupinambás introduziam estranhos à sua sociedade, com práticas como o casamento. Dessa forma, relações e alianças eram estabelecidas. Em dezembro de 1552, o governador-geral Tomé de Sousa foi à Guanabara, mas não conseguiu descer no litoral. As praias estavam repletas de guerreiros tupinambás, impedindo o acesso com ameaças. O governador decidiu, então, seguir até a “Ilha dos Índios Gatos”, onde foi recebido com solenidades por Maracajaguaçu. Na ocasião, os jesuítas rezaram a primeira missa do Rio de Janeiro.

Gravura em preto e branco de conflito violento entre grupos de pessoas.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco. A cena retrata um conflito violento entre grupos de pessoas. Do lado esquerdo, vemos figuras segurando arcos e flechas, enquanto à direita estão aqueles com armas de luta mais próximas ao solo. No centro, dois indivíduos estão envolvidos em uma luta física intensa. Às margens superiores, há inscrições que parecem identificar os grupos envolvidos no conflito.

Os maracajás compartilhavam não só o mesmo território, como também as raízes culturais, linguísticas e ritualísticas das demais comunidades tupinambás. Seus inimigos ancestrais eram os mesmos das outras tabas do Rio de Janeiro. No entanto, historicamente, quase alcançaram o status de uma etnia diversa devido à sua aliança com os portugueses e à sua participação determinante no contexto das guerras de conquista da Guanabara. Essa aliança também fez com que os maracajás ficassem também conhecidos como “temiminós”, terminologia pelos quais os indígenas aliados aos portugueses ficariam conhecidos.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Os temiminós